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RISCO NO ESTÁDIO

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Ao fim das investigações, é quase certo que serão encontradas diversas motivações para a tragédia que culminou com a morte de 74 e os ferimentos de outros 188 torcedores do Al Masry e do Al Ahly, que se enfrentaram quando o campo foi invadido no Egito. Adeptos do primeiro, não satisfeitos com a vitória de 3 a 1, invadiram o campo, com facas e outras armas, perseguindo jogadores e, posteriormente, a torcida rival. A Irmandade Muçulmana acusou os partidários do ex-ditador Hosni Mubarak pela violência. Trata-se de algo, em tais proporções, inusitado, mas dá margem a advertências.

Sede da Copa do Mundo de 2014, o Brasil, mesmo distante das motivações políticas ou religiosas, assiste com frequência a enfrentamentos entre galeras pelos estádios de todo o país. Em nome da paixão, cometem-se atrocidades, como agressões sistemáticas e até morte de torcedores, antes e depois das partidas. Nos clássicos, os ânimos se exacerbam e o que é apenas uma competição, ao olhar desses vândalos, transforma-se numa guerra.

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É necessário levar adiante os projetos de afastamento desses vândalos dos estádios, mas ainda há muito por fazer, sobretudo no trato com as chamadas torcidas organizadas. Muitas, ao invés de uma confraria de fãs, são antros de bandidos que se escondem atrás da camisa do clube para intimidar adversários e até mesmo os jogadores. Um ano antes de ganhar o título nacional, jogadores do Corinthians – entre eles Ronaldo Fenômeno – foram acuados por um grupo inconformado com uma derrota. Pouco se fez.

O caso do Egito e a proximidade da Copa deveriam ser aproveitados para um saneamento nas arquibancadas, para garantir ao verdadeiro torcedor o direito de exercer sua opção por este ou aquele clube. Hoje, tornou-se um risco ir aos estádios, algo perverso para um país que tem no futebol a sua primeira opção esportiva.

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