Na última semana, antes mesmo de as urnas definirem a vitória de Bruno Siqueira para prefeito de Juiz de Fora, os vereadores já conversavam sobre a presidência da Câmara. Na ocasião, um grupo, encabeçado pelo vereador reeleito Chico Evangelista (PDT), enfatizava que a disputa era uma questão interna do Legislativo, não devendo haver ingerência de outros poderes, notadamente do Executivo. Na edição de ontem, o vereador Isauro Calais (PMN), pela via inversa, não se constrangeu em dizer que seria prudente conversar com o prefeito eleito, porque ele é o líder do nosso grupo.
Nem tanto um lado nem tanto o outro, mas a postulada independência de poderes tornou-se peça de ficção no Brasil pós-moderno, no qual o Governo de coalizão sobrevive da permanente simbiose com o Legislativo. O presidente, o governador ou o prefeito dependem de respaldo de senadores, deputados e vereadores para levar adiante seus projetos, enquanto estes, para emplacar algum projeto, dependem do chefe do Executivo. Como este tem o poder de agenda, cria-se um perverso cenário de balcão, no qual as demandas são definidas pelo tradicional uma mão lava a outra.
A sucessão na Câmara Municipal não é, no entanto, a única discussão. Em Brasília, também há articulações para a cadeira do deputado Marcos Maia (PT). Em princípio – fruto desses acordos entre Presidência da República e partidos -, a vaga será do peemedebista Henrique Eduardo Alves, já que há um revezamento com o PT, mas a dissidência, ora encabeçada pelo deputado Júlio Delgado (PSB), está em curso. Trata-se de uma jornada difícil, por enfrentar os dois maiores partidos da Câmara, mas não é algo impossível. Em passado recente, houve dissidentes eleitos, como o deputado Severino Cavalcanti, que ganhou no baixo clero e deu trabalho ao Governo e ao país, até deixar o cargo pela porta dos fundos.
