A três dias do prazo final, o país ainda não sabe se terá 30 ou 32 partidos com cadeiras no Congresso Nacional, uma vez que as articulações prosseguem, e a coleta de assinaturas para a Rede, da ex-ministra Marina Silva, também. Já com garantia do TSE, as legendas PROS e Solidariedade anunciam seu próximo passo: vão montar balcões no saguão da Câmara Federal para colher a adesão de deputados.
Há vários problemas nessa discussão. O primeiro envolve o excessivo número de siglas, incapaz de dar uma sustentação ideológica ao debate, uma vez que a maioria tem foco único: atender a interesse de determinados grupos. São partidos com dono, como se essa fosse a primeira condição para a sua implantação. O Solidariedade, que pegou emprestado o nome do partido polonês do líder sindical Lech Walesa, é liderado pelo deputado e sindicalista Paulinho de Oliveira (Paulinho da Força). O PROS é capitaneado por Eurípedes Júnior.
Com tantas legendas, amplia-se também o balcão não apenas em Brasília mas também nos estados e municípios, já que boa parte das legendas é utilizada para acordos políticos, fruto do tempo na televisão e dos recursos recebidos do fundo partidário. O país vai pela contramão, pois o bom-senso sempre apontou para o caminho inverso, com a formação de siglas representativas e fortes, capazes de dar consistência ao próprio Parlamento.
No próximo sábado, quando termina o prazo, será possível avaliar o novo cenário, mas já se sabe que o país perde, já que, com tantos partidos, o eleitor continuará votando em nomes, e não em legendas ou projetos.
