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PERDAS E GANHOS

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A ideia defendida por alguns setores de deixar a reforma política para a próxima legislatura é uma velha tática de Brasília quando não há intenção de se resolverem os problemas. Os atuais deputados tiveram uma chance única de mudar o velho processo, mas optaram pelo modelo vigente, mantendo-se na zona de conforto. Até a cláusula de barreira aprovada é um arremedo da proposta inicial, pois não barra nada, continuando o Parlamento com um excessivo número de legendas.

Como até os chamados grandes tinham demandas próprias e não se entenderam, o resultado não surpreende. O fim da reeleição, o único dos grandes temas aprovado, não é unanimidade. Democracias importantes, como a dos EUA, admitem mais um mandato. Para os críticos, o segundo mandato faz do primeiro um palanque. Para outros, porém, é a forma de o governante dar continuidade a seus projetos, já que quatro anos é um período curto para administrar. Para acertar as contas, aposta-se num mandato de cinco anos, mas é preciso, primeiro, apurar a reação do Senado, em que seus titulares ficam oito anos. Os senadores não querem ficar com cinco. Segundo eles, para garantir a coincidência, dez anos é o tempo ideal. Trata-se, nesse caso, de um contrassenso.

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Resta saber, agora, o que restará da tão esperada reforma política. Durante um ano inteiro, uma comissão especial discutiu o tema, cujas teses foram desmontadas numa canetada do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que trocou o relator e jogou a discussão para o plenário. Na bolsa das apostas, ele ganhou, mas o país, certamente, saiu perdendo nessa empreitada.

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