A volta das atividades nos poderes Legislativo e Judiciário – com um corte na semana que vem por conta do Carnaval – sinaliza para a retomada da discussão de temas importantes, ora em discussão nas duas instâncias de poder. Mas é fundamental para o próprio país que tais demandas não interrompam a agenda necessária para enfrentamento da crise econômica. Embora estejam diretamente associadas, as questões política e econômica precisam sair do impasse que marcou os últimos meses de 2015 e o janeiro deste ano.
Em entrevista ao jornalista Mário Sérgio Conti, o governador do Maranhão – o estado com os piores indicadores sociais do país -, Flávio Dino, apontou para a importância de se fazer tal dissociação. Juiz federal por profissão e político por vocação, o único a derrotar o clã Sarney nos últimos 40 anos, ele não faz da vendeta a sua pauta. Ao contrário, sabe dos danos que a dinastia causou ao seu estado, mas toca a agenda para frente.
Para Dino, o país não pode abrir mão das investigações, pois elas estão passando a própria sociedade a limpo, mas não pode se recusar a discutir outras demandas, sobretudo na instância política. O Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal estão cumprindo o seu papel. O problema está no Legislativo, que rejeita mudanças e não faz a sua parte. E ele tem razão. As reformas substanciais para o país emperraram por conta do Executivo e do Congresso, embora sejam necessárias.
O próximo teste será a questão previdenciária. A despeito das resistências dentro da sua própria base, a presidente Dilma colocou o bode na sala. Resta saber, agora, como ficará o desfecho dessa novela, que vence anos de diversas administrações, sem uma solução definitiva.
