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VEZ DO ESPORTE

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Na sua primeira entrevista coletiva, depois de ter sido anunciado como novo técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari isolou sua primeira bola na arquibancada. Indagado sobre as pressões do cargo, já que o Brasil teria a obrigação de ganhar a Copa do Mundo disputada em seu território, foi enfático: quer moleza? Vai trabalhar no Banco do Brasil. A afirmação causou mal-estar, uma vez que o BB é um dos maiores patrocinadores do esporte – no caso, o vôlei -, e seus funcionários, ao contrário do que pensa o técnico, vivem o duro dia a dia da categoria, que cumpre metas sistemáticas para fechar o mês. Pressão diária, pois. Ele se desculpou, e o episódio foi considerado superado, mas a provocação dá margem para outras indagações. Qual o técnico vai prevalecer: Felipe Scolari, de 2002, ou Carlos Alberto Parreira, de 1994? Em termos de anos, ambos estão fora do tempo, mas é preciso considerar que Parreira, por exemplo, é um estudioso do futebol e está em dia com suas informações.

Como a Copa do Mundo vai ocorrer em 2014, ano em que o país também voltará às urnas para eleger presidente, governadores, senadores e deputados, haverá um forte componente político no velho e violento esporte bretão. Não é de hoje que há uma deliberada confusão da Confederação Brasileira com as ações políticas. No tempo da ditadura, um técnico – João Saldanha – foi deposto por sua postura ideológica. O comentarista era comunista de carteirinha, e o presidente era Emílio Médici, um dos mais duros do ciclo militar.

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No período democrático, temos um ex-presidente torcedor que vira e mexe dá seus palpites, mas a política está dentro da própria CBF, configurada no seu presidente. José Maria Marin foi vice-governador e exerceu o governo de São Paulo. Conhece os meandros do poder e costuma jogar para a arquibancada. Felipão é um nome palatável, e, dependendo dos resultados, seu discurso ufanista, como ocorreu na primeira coletiva, soa bem aos ouvidos do Governo. O fundamental, porém, é, além do resultado, a mudança de paradigma do futebol brasileiro, que precisa se renovar não apenas na lista de jogadores mas também no conceito, algo ultrapassado já há algum tempo.

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