A demolição de espaços utilizados para consumo de crack, que a própria sociedade passou a chamar de cracolândia, foi uma ação necessária, uma vez que tais redutos estavam tornando-se pontos de insegurança para a população. Marcados pelo vício, seus usuários não só pediam dinheiro mas chegavam a ultrapassar os limites com a prática de pequenos furtos e assaltos. No entanto, é preciso ir além, pois não basta dispersá-los para resolver o problema.
Na edição de ontem, a Tribuna apontou os vários pontos da cidade, sobretudo da área central, ora ocupados pelos crackeiros, que continuam com a mesma prática, num claro desafio às autoridades. Daí, a necessidade de outras medidas para mudar essa situação. Ouvidas pelo jornal, autoridades políticas e administrativas indicaram um trabalho conjunto para os próximos dias a fim de efetuar o recolhimento de tais usuários. A despeito das intimidações, não se trata, objetivamente, de um caso de polícia – que deve dar o suporte -, e sim da instância social.
Ao simples olhar, é possível verificar que os usuários também são vítimas, capturados pelo vício que faz deles párias da sociedade, afastados de famílias – muitas vezes bem constituídas – e à mercê de traficantes, atuando até mesmo como mulas para se sustentarem. Tanto a Secretaria de Ação Social quanto a Comissão Especial de Enfrentamento ao Crack têm um trabalho estratégico nessa empreitada. Encaminhar os usuários para postos de atendimento é uma necessidade premente, que não se esgota, porém, no Centro da cidade, embora esse seja a sala de estar do município. As periferias estão repletas de situações semelhantes onde o medo e a pena convivem ao olhar dos passantes.
