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LUZ AMARELA

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Jogar a responsabilidade sobre a polícia é a ordem natural das coisas, pois se trata da face da segurança do Estado, mas a situação em Juiz de Fora carece de um envolvimento coletivo, do qual devem participar entidades representativas, lideranças políticas e empresariais, centros acadêmicos e até mesmo religiosos. A situação ainda não saiu do controle, mas o que se viu nos últimos dias é indicativo de algo que deve ser feito além das recorrentes reclamações e transferência de responsabilidade. É hora de atitude, como já ocorreu em localidades que chegaram ao seu limite e, só com a mobilização de seus diversos segmentos, inclusive das elites, conseguiram virar o jogo.

Com cerca de 550 mil habitantes, Juiz de Fora vive um momento crítico, com os enfrentamentos, antes restritos a zonas delimitadas, ou quentes, como reza o jargão militar, para as áreas centrais, ampliando a insegurança. Quando uma operária sai do trabalho e é baleada em plena luz do dia, e sem qualquer envolvimento com os autores, é sinal de que a luz amarela acendeu. Os autores de tais mazelas fizeram do Centro um ponto de encontro para suas rixas, ora no Largo do Riachuelo, ora no Parque Halfeld, pontos considerados de lazer, e não de embates.

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Os setores de investigação devem levantar as motivações das gangues – um fenômeno pouco comum em outras metrópoles – e combater, sobretudo, o derrame de armas, única justificativa para o uso sistemático desses equipamentos letais. Recentemente, a Tribuna apontou o desvio de armas de uma unidade militar do Exército. O que resultou das investigações? Quantas, de fato, entraram ilicitamente no mercado? É necessário identificar e tirar de circulação os mercadores de armas e aqueles que fazem empréstimos para atos ilícitos.

A área de segurança do Estado, a despeito do anúncio de novos equipamentos, vem sendo sistematicamente subestimada, com mais pessoas indo para a reserva, se aposentando ou entrando de licença do que a formação de novos quadros, sejam elas da PM ou da Polícia Civil. É hora de dar um basta. Enquanto é tempo.

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