Ícone do site Tribuna de Minas

DELAÇÃO PREMIADA

PUBLICIDADE

Vítima da ditadura, a presidente Dilma Rousseff tem razão quando diz que não respeita delator. Afinal, durante os anos de chumbo, o expediente foi notoriamente usado para desbaratar os aparelhos da resistência. Mas ao agir mais pela paixão do que pela razão, ela voltou a levar a crise para dentro do Palácio do Planalto, onde já há problemas suficientes para lhe tirar o sono. Uma liderança governista foi enfática: “nada está tão ruim que não possa piorar”. A delação de Ricardo Pessoa, da UTC, pode ser questionada pelos citados, como ora ocorre com o deputado Júlio Delgado (PSB), que pretende ficar cara a cara com o empresário para tirar a dúvida a limpo, mas ela é resultado de um acordo capitulado em lei, homologada, no caso, pelo Supremo Tribunal Federal, através do relator ministro Teori Zavascki.

O que o empresário disse pode ser questionado, mas seu gesto difere do de Joaquim Silvério dos Reis, citado pela presidente, pois nos livros de história ele teria feito a delação pura e simples para livrar a cara, mas sem respaldo legal. Há até quem critique a veracidade do episódio, apontando que houve outros delatores, e não apenas ele, que ficou com a fama de Judas.

PUBLICIDADE

O resultado da reação da presidente, ainda nos Estados Unidos, retomou também a discussão do uso indevido do dinheiro de campanha e o modo como este chega aos partidos. Mesmo assim, a Câmara Federal aprovou a manutenção das doações de empresas às campanhas, embora saiba, de cor e salteado, que não há lanche grátis. Os grupos empresariais, quando abrem seus cofres, querem algo em troca. A cláusula que transfere a doação para os partidos, em vez dos políticos, foi apenas um detalhe, porque a barganha vai continuar.

Sair da versão mobile