Situado entre os países de economia estável e em posição ascendente no ranking econômico, o Brasil ainda tem sérios gargalos a serem enfrentados, a maioria deles envolvendo a infraestrutura, numa clara demonstração de que não houve, ao curso dos últimos 20 anos, uma preocupação em montar uma base para o iminente crescimento. O país que passou bem na crise de 2008 sai positivamente da estagnação que ora afeta a Europa, mas enfrenta demandas internas que precisam sair do papel. Isto, se tem mesmo a pretensão de ser um dos fronts de liderança mundial. Com uma Copa das Confederações marcada para o ano que vem, uma Copa do Mundo, em 2014, e Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016, o país tem que estar preparado para o acolhimento de milhares de pessoas que aqui vão aportar. Por isso, os sistemas de transporte e de segurança, principalmente, devem estar na lista de prioridades.
Na edição de ontem, a Tribuna apontou a carência de efetivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em situação crítica, equipes têm que definir prioridades. Sem efetivo e meios adequados de ação, compromete-se até mesmo a segurança em vias como a BR-040 e a BR-267, que cortam a região. O posto da PRF em Juiz de Fora tem uma série de problemas, como internet ainda discada e falta até de água potável. De questões menores a grandes demandas, forma-se um grande problema. As duas rodovias são estratégicas no escoamento da produção, sendo, ainda, portas de entrada em Minas Gerais. O estado, aliás, paga um preço mais alto do que os demais por ter a maior malha rodoviária do país.
As soluções, quando aparecem, são pontuais e não atacam o centro do problema. De acordo com o Núcleo de Comunicação Nacional da Polícia Rodoviária, um curso de formação está em andamento, e há previsão de envio de policiais para Minas Gerais. Mas isso só não basta. Além de mais agentes, o suporte para o desempenho das funções é fundamental. Há previsões de reformas no posto local a partir de julho, mas, como o aumento do efetivo, também é apenas mais uma ação. A Zona da Mata é um dos pontos de convergência de rodovias federais, sendo cortada também pela BR-116, o que exige, de pronto, mais atenção do Governo.
