A resistência dos ministros do PMDB de largar seus cargos, a despeito de a legenda ter decidido desembarcar do Governo e colocar suas indicações à disposição da presidente Dilma Rousseff, mostra como os partidos, sobretudo aqueles em que o interesse é maior do que o conteúdo ideológico, estão divididos. Por uma expectativa de poder, os dirigentes peemedebistas romperam a relação. Por interesses pessoais, em nome de uma suposta fidelidade à presidente, cinco ministros resistem a largar o cargo, contrariando orientação do diretório nacional.
O PMDB, que desde sua gênesis se apresenta como uma federação, continua tendo os dois lados. Ou até mais. Esse racha é bom e ruim para o Governo ao mesmo tempo. Bom, pois os ministros têm suas próprias bases no Congresso, o que pode assegurar votos contra o impeachment ora em discussão. Ruim, pois, ao permanecerem nos postos, impedem o Planalto de barganhar com outras legendas. Afinal, cinco ministérios e cerca de 600 cargos de confiança não são de se jogarem fora. E num Parlamento em que o balcão funciona cotidianamente, trata-se de uma grande moeda para reforçar a base oficial.
Os próximos dias, portanto, serão emblemáticos, inclusive para a oposição, que joga todas as suas fichas na Comissão Especial do Impeachment, considerando ser lá a principal arena para o embate final. O lado perverso é o esquecimento da discussão econômica. Os investimentos minguaram, os empresários puseram o pé no freio, e o Governo se mostra incapaz de encontrar saídas razoáveis, afastando-se, inclusive, de questões que estavam na sua pauta. A reforma da Previdência subiu no telhado. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, por sua vez, encontra-se numa encruzilhada: ou mantém as metas a que se propôs – muitas delas herdadas de Joaquim Levy – ou acolhe o populismo, que agrada as bases, mas deixa o país num cenário incerto no futuro.
