Jesus Cristo, salvador e redentor de toda a humanidade, fundou uma única Igreja para que fosse instrumento de salvação. Sustentando esta verdade de fé, o Concílio Vaticano II afirma que esta única Igreja subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo Sucessor do apóstolo Pedro (Papa) e pelos Bispos em comunhão com ele (Concílio Vaticano II: LG nº 8; UR nº 1 e 2).
A Santa Sé explica que “com a expressão “subsistit in“, o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição, isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica” (Declaração Dominus Iesus nº 16, em 06/08/2000).
Assim, o Concílio adotou a palavra “subsiste” precisamente para esclarecer que existe uma só “subsistência” da verdadeira Igreja, ao passo que fora da sua composição visível existem apenas “elementa Ecclesiae“, que, por serem elementos da própria Igreja, tendem e conduzem para a Igreja Católica” (Declaração Dominus Iesus NOTA nº 56, em 06/08/2000).
Portanto, os fiéis católicos são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica, radicada na sucessão apostólica, entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: “Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo professamos una, santa, católica e apostólica, e que o nosso Salvador, depois da ressurreição, confiou a Pedro para que a apascentasse (João 21,17), confiando também a ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo (Mateus 28,18), levantando-a para sempre como “coluna e sustentáculo da verdade” (I Timóteo 3,5)” (Concílio Vaticano II: LG nº 8).
Em relação ao ecumenismo, o Concílio Vaticano II assim afirma: “Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos é um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecumênico Vaticano II. Pois Cristo Senhor fundou uma só e única Igreja. Todavia, são numerosas as Comunhões cristãs que se apresentam aos homens como a verdadeira herança de Jesus Cristo. Todos, na verdade, se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e caminham por rumos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse dividido (1 Coríntios 1,13). Esta divisão, porém, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura” (Concílio Vaticano II: UR nº 1).
“A falta de unidade entre os cristãos é certamente uma ferida para a Igreja; não no sentido de estar privada da sua unidade, mas porque a divisão é um obstáculo à plena realização da sua universalidade na história” (Declaração Dominus Iesus nº 17, em 06/08/2000). As promessas de Jesus Cristo de nunca abandonar a sua Igreja (Mateus 16,18; 28,20) e de guiá-la com o seu Espírito (João 16,13) comportam que, segundo a fé católica, a unicidade e unidade, bem como tudo o que concerne à integridade da Igreja, jamais virão a faltar.
O Concílio Vaticano II explicou: “Por “movimento ecumênico” entendem-se as atividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos” (Concílio Vaticano II: UR nº 4). O memorável Papa São João Paulo II assim afirmou: “Deste modo, a Igreja Católica afirma que, ao longo dos dois mil anos da sua história, foi conservada na unidade com todos os bens que Deus quer dotar a sua Igreja, e isto apesar das crises, por vezes graves, que a abalaram, as faltas de fidelidade de alguns dos seus ministros, e os erros que diariamente investem os seus membros.
A Igreja Católica sabe que, graças ao apoio que lhe vem do Espírito Santo, as fraquezas, as mediocridades, os pecados e, às vezes, as traições de alguns dos seus filhos não podem destruir aquilo que Deus nela infundiu tendo em vista o seu desígnio de graça. E até “as portas do inferno nada poderão contra ela” (Mateus 16, 18). Contudo, a Igreja Católica não esquece que, no seu seio, muitos eclipsam o desígnio de Deus.
Ao evocar a divisão dos cristãos, o Decreto sobre o Ecumenismo não ignora “a culpa dos homens dum e doutro lado”, reconhecendo que a responsabilidade não pode ser atribuída somente aos “outros”. Por graça de Deus, porém, não foi destruído o que pertence à estrutura da Igreja de Cristo e nem mesmo aquela comunhão que permanece com as outras Igrejas e Comunidades eclesiais. Com efeito, os elementos de santificação e de verdade presentes nas outras Comunidades cristãs, em grau variável duma para outra, constituem a base objetiva da comunhão, ainda imperfeita, que existe entre elas e a Igreja Católica” (João Paulo II: Encíclica Ut unum sint nº 11, em 25/05/1995).
*Luís Eugênio Sanábio e Souza é escritor
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