O recente evento sísmico ocorrido em nossa região no sábado, dia 4 de outubro de 2025, assustou alguns moradores principalmente ao sul da área urbana, tendo sido avaliado como de intensidade 1.7 na escala Richter, grau esse considerado fraco. Apesar da baixa intensidade, o evento provocou tremor e pequenos estrondos nas estruturas construídas.
Nosso planeta está em dinâmica constante, sendo que a crosta terrestre, a camada mais superficial com espessura variável em torno de 50 quilômetros, encontra-se toda recortada e sujeita a movimentos chamados tectônicos, os quais criam deslocamentos de convergência (colisões) e divergência (separações) desses imensos fragmentos rochosos, as placas tectônicas. A costa oeste da América do Sul é palco de espetacular e lenta colisão entre a placa de Nazca e a placa Sul Americana, movimento que gera o sistema da cordilheira dos Andes, e cujas ondas de choque se propagam em profundidade nas rochas dos países da região.
Acontece que mesmo no interior das placas tectônicas as rochas podem se encontrar fraturadas e falhadas, fato que favorece a movimentação e acomodamento desses pacotes geológicos. Nossa cidade foi edificada sobre uma área geológica altamente recortada e fragilizada, sendo que o sul da área urbana sobrepõe-se a um trecho densamente afetado (alta densidade de lineamentos estruturais, figura 5, página 57), como mostrei em meu livro Riscos Ambientais – análise e mapeamento em Minas Gerais, publicado pela editora da UFJF em 2005 (disponível gratuitamente na plataforma Research Gate).
Nesse mapa da figura 5, as pesquisas indicam áreas com maior densidade de fraturas e falhas ao sul da área urbana onde o tremor foi mais percebido, devido à maior facilidade de deslocamento das ondas sísmicas. Possíveis novos e mais fortes tremores, infelizmente sem possibilidade de previsão temporal, apontam para a necessidade de monitoramento e planejamento cuidadoso da porção sul e sudeste do tecido urbano construído.
*Geraldo César Rocha é geólogo e professor da UFJF
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