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Uso da IA na NR-1

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Com a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) em vigor, os riscos psicossociais passaram a fazer parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas. Dessa forma, questões como estresse, burnout, assédio moral, ansiedade e sobrecarga emocional passaram a integrar a agenda de compliance e gestão de riscos.

Na prática, as organizações passaram a enfrentar um desafio mais complexo. Se antes a prevenção estava concentrada em acidentes físicos e riscos operacionais, agora também é necessário identificar fatores ligados ao ambiente organizacional, à cultura da empresa e às relações de trabalho.

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A mudança coincide com outro movimento que tem tranformado o ambiente corporativo: a expansão do uso da Inteligência Artificial (IA) em processos e operações. Segundo levantamento da Gartner, até o fim deste ano, 80% das empresas irão utilizar IA ou modelos prontos em ambientes de produção. 

Mais do que automatizar processos, a Inteligência Artificial amplia a capacidade de analisar grandes volumes de informações e identificar padrões que dificilmente seriam percebidos apenas por processos manuais.

No contexto da NR-1, a IA pode apoiar o monitoramento de indicadores, organizar informações provenientes de canais de denúncia, acompanhar a efetividade de políticas internas e identificar sinais que indiquem riscos psicossociais. A ideia não é substituir a atuação humana, mas fornecer dados que permitam decisões mais rápidas, consistentes e preventivas.

Quando alinhada ao trabalho humano, a tecnologia também amplia a capacidade das organizações de levantar questionamentos importantes: as equipes estão sendo treinadas adequadamente? As políticas internas estão funcionando na prática? O acolhimento está sendo transformado em ações efetivas de prevenção? 

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Essas respostas dificilmente podem ser sustentadas apenas por controles manuais ou análises isoladas. Ao automatizar parte desse acompanhamento, a IA permite que áreas como compliance, RH e jurídico tenham mais tempo para uma atuação estratégica e humanizada, direcionando esforços para aquilo que nenhuma tecnologia substitui: escuta, liderança e construção de cultura organizacional saudável.

Os números mostram a dimensão desse desafio. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por transtornos mentais e comportamentais, crescimento de 15,66% em comparação a 2024, quando foram registrados 472.328 benefícios. Ansiedade e depressão lideraram os casos de afastamento no país.

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Mais do que atender a uma exigência regulatória, a NR-1 representa uma oportunidade para fortalecer a gestão corporativa. Quando utilizada de forma ética e estratégica, a Inteligência Artificial amplia a capacidade de prevenção, reduz falhas operacionais e oferece uma visão mais precisa dos riscos que afetam pessoas e negócios.

O maior desafio daqui para frente não será apenas adotar novas tecnologias, mas integrá-las a uma gestão que combine dados, prevenção e sensibilidade humana. É nessa convergência que as empresas estarão mais preparadas para construir ambientes de trabalho seguros, saudáveis e sustentáveis.

*Marcelo Erthal é especialista em tecnologia para gestão de compliance e integridade corporativa, professor da cadeira de tecnologia aplicada ao compliance no Ibmec-RJ, membro do conselho de competitividade da Firjan e CEO do clickCompliance.

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