Não será nenhuma surpresa se o presidente Lula escolher o Advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, aos 67 anos. Evidente que Lula sofre pressões de todo lado inclusive – e até principalmente – do presidente do Congresso, David Alcolumbre, que ao lado de ministros do STF fez força para a indicação do senador Rodrigo Pacheco que, aliás, parece não querer disputar o governo de Minas apoiado por Lula.
O preferido de Lula é o Advogado-geral da União e, pelas regras atuais, se indicado e aprovado pelo Senado – o que nunca deixou de ocorrer em situações anteriores -, ficará no cargo por 30 anos. Jorge Messias tem hoje apenas 45 anos, e a aposentadoria compulsória no STF é aos 75 anos. Para muitos – embora sem desmerecer as qualidades profissionais dele -, a escolha de Messias é política. É uma forma de Lula se aproximar dos evangélicos. O procurador é membro da Igreja Batista Cristã de Brasília desde criança, onde atua como diácono, e tem sido o principal elo do governo Lula com o eleitorado evangélico.
Para agradar os evangélicos, Lula deixa de atender as mulheres que se movimentam defendendo a indicação de uma mulher para a vaga. Em 134 anos de história, o STF já teve 172 ministros. Entre eles, apenas três mulheres – a atual ministra Cármen Lúcia, indicada por Lula; Rosa Weber, por Dilma; e Ellen Gracie, a primeira, indicada por Fernando Henrique – e nenhuma negra. Em Brasília fala-se que Lula pretende nomear uma mulher para a Advogacia-geral da União. Esta semana tudo se resolve.
Enquanto se dedica, quase em tempo integral, a articular uma base no Congresso que seja confiável para aprovação de várias matérias capazes de influenciar no resultado das eleições do ano que vem, Lula deixa um pouco de lado as negociações para as eleições nos estados. Em Minas e São Paulo, por exemplo, o PT não consegue articular um nome.
Em São Paulo para enfrentar Tarcísio de Freitas que, como eu antecipei aqui, descarta disputar a presidência e vai mesmo buscar a reeleição. Em Minas, onde Rodrigo Pacheco, que teria o apoio do PT, descarta a candidatura ao governo, sinalizando uma saída da política. Há sinalizações de que, em Minas e outros estados, Lula pode buscar uma composição com Aécio Neves que, ao final do ano, assume a presidência do PSDB para recompor o partido, usando seu prestígio político. Enfim, as questões estaduais só devem ocupar Lula no ano que vem. A presidência está resolvida. É ele o candidato.
*Paulo César de Oliveira – jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil
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