A investida das Forças Armadas de Israel contra a Faixa de Gaza, desde outubro de 2023, em resposta ao atentado terrorista do Hamas, tornou-se uma questão humanitária mundial devido ao grande número de vítimas civis, especialmente crianças e mulheres. Essa realidade não pode ser esquecida, por mais incômodo que seja receber, a cada dia, relatos e imagens de famílias dilaceradas. Diante desse quadro, aplica-se bem o que disse Bento XVI em 28 de maio de 2006, ao visitar o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau:
“Tomar a palavra neste lugar de horror, de acúmulo de crimes contra Deus e contra o homem sem igual na história, é quase impossível e é particularmente difícil e oprimente para um cristão, para um Papa que provém da Alemanha. Num lugar como este faltam as palavras; no fundo, pode permanecer apenas um silêncio aterrorizado, um silêncio que é um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto?”
E o próprio Papa teólogo responde:
“Não podemos perscrutar o segredo de Deus; vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos juízes de Deus e da história. (…) Devemos elevar um grito humilde, mas insistente a Deus: Desperta! Não te esqueças da tua criatura, o homem! E o nosso grito a Deus deve, ao mesmo tempo, ser um grito que penetra o nosso próprio coração, para que desperte, em nós, a presença escondida de Deus, para que aquele poder que Ele depositou em nossos corações não seja coberto e sufocado em nós pela lama do egoísmo, do medo dos homens, da indiferença e do oportunismo. (…) Nós gritamos a Deus para que impulsione os homens a se arrependerem, para que reconheçam que a violência não cria a paz, mas suscita apenas outra violência uma espiral de destruição, na qual todos no fim de contas só têm a perder.”
Esse grito a Deus deve ecoar por toda a Terra, mobilizando corações e mentes em favor da paz, que nunca é fruto da violência e da força, mas sim do diálogo e da boa-vontade. Por isso, devemos nos deixar tocar pela dor das famílias de Gaza para com elas clamar a Deus. Não desligar a TV diante de imagens de devastação, nem cancelar quem nos interpela, mas deixarmo-nos comover e pedir a Deus força para defender quem sofre.
Aos cristãos, cabe assumir essa dor como fruto do pecado coletivo da humanidade e, ao pedir perdão, assumir o dever de clamar a Deus pela paz. Cada celebração da Eucaristia deveria incluir, no momento do ato penitencial, o pedido de perdão pelo massacre de Gaza e por outros atentados à vida humana. Não nos conformemos com uma Igreja que se recolhe à tranquilidade dos templos para celebrar a glória de Deus, enquanto são massacrados seus filhos prediletos: as pessoas desprotegidas.
Na condição de leigos e leigas, temos o dever de marcar a presença da Igreja na sociedade para que a História humana seja um caminhar para o pleno reinado de Deus. É nossa missão, por difícil que seja!
*Equipe “Igreja em Marcha” – Grupo de Leigos Católicos
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