Há injustiças que não nascem da falta de leis, mas da forma como elas são interpretadas. Na área da saúde, ainda persiste a ideia de que, ao assumir uma função de chefia, o profissional deixa de estar exposto aos riscos ocupacionais.
Nada poderia estar mais distante da realidade. Liderar não significa afastar-se do cuidado. Significa estar presente, acompanhar equipes, circular pelos setores assistenciais, enfrentar situações críticas e assumir responsabilidades ainda maiores.
Os riscos biológicos, físicos, químicos, ergonômicos e psicossociais não distinguem cargos. O ambiente permanece o mesmo. Muda apenas a função exercida. Ignorar essa realidade é permitir que a burocracia prevaleça sobre os fatos.
Aristóteles ensinava que a justiça exige considerar as circunstâncias. Aplicar a mesma interpretação a realidades diferentes também produz injustiça.
Uma sociedade justa não pode enxergar apenas cargos. Precisa enxergar pessoas, trabalho e realidade. Quando a forma supera a essência, a justiça perde sua finalidade mais nobre: reconhecer a verdade e dar a cada um aquilo que realmente lhe é devido.
*Valdinei Ferreira de Jesus é enfermeiro e gestor em saúde
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