Ser professor, hoje, é um ato de resistência. Ensinar tornou-se mais do que uma profissão: é uma forma de manter viva a chama da humanidade em um tempo em que tudo parece ser reduzido ao útil, ao rápido e ao descartável. As salas de aula revelam o espelho de uma sociedade fragmentada, marcada pela aceleração, pelo esvaziamento dos vínculos e pela perda de referências éticas e afetivas. Diante disso, o professor é desafiado a reinventar o próprio sentido de sua prática, em um cenário que constantemente o coloca à prova.
A crise não é apenas estrutural ou pedagógica, mas também existencial. A educação, antes entendida como espaço de formação integral, cedeu lugar a uma lógica de desempenho e produtividade, onde o “aprender” foi substituído pelo “entregar” e o “ensinar e aprender com dedicação” pelos “atalhos e facilidade da vida moderna”.
Contudo, é precisamente nesse cenário de esgotamento que emergem também sinais de esperança. Nós professores resistimos à indiferença, insistimos em cultivar vínculos, buscamos enxergar o aluno não como um número ou um dado estatístico, mas um ser em formação, repleto de possibilidades. Nós buscamos enfatizar, com essas ações, que ensinar é mais do que transmitir conteúdos, é tocar almas, despertar consciências e ajudar cada estudante a reconhecer-se como sujeito de sua própria história.
O sentido de ser professor nasce da experiência do encontro, ou seja, do olhar que acolhe, da escuta que compreende, da palavra que orienta. A educação permanece, ainda, como um espaço privilegiado de humanização. Quando um aluno descobre um propósito, supera uma dificuldade ou aprende a respeitar o outro, o professor reencontra o sentido de sua missão.
Frente às dificuldades é urgente reencontrar-se com a travessia, ou seja, evitar a busca por fórmulas prontas e resgatar a essência humana da docência. Ensinar como gesto ético, como compromisso com o outro e com o mundo é a verdadeira missão.
Ser professor, hoje, é navegar em mares revoltos, mas também é saber que, apesar das tempestades, há sempre a possibilidade de reconstruir o sentido de educar. Porque, no fundo, cada ato de ensino é também um ato de fé no ser humano, na transformação e na possibilidade de um mundo mais justo e mais sensível.
* Robson Ribeiro é professor, teólogo, historiador e filósofo
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