Faltam duas semanas para o fim da Copa do Mundo. O tempo passa rápido e certas coisas acabam fugindo da nossa mente, mas é importante lembrar: o saldo da Copa do Mundo até aqui é positivo. Momentos memoráveis e jogos emocionantes, apesar de, infelizmente, a dor de ver a Seleção brasileira fora dos holofotes;
Entretanto, fora das quatros linhas, vimos a FIFA ser usada de fantoche pelo homem que acredita ser o presidente do mundo. A gota d´água foi a reversão da suspensão de Balogun, jogador norte-americano que foi expulso contra a Bósnia e, posteriormente, liberado pela FIFA para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica. Donald Trump assumiu publicamente que ligou para um representante da entidade pedindo que o atleta pudesse jogar. O “presidente do mundo” brinca de “seu mestre mandou” com o futebol, e a representação máxima do esporte aceita.
Não esqueçamos de Omar Artan, árbitro somali que não pode entrar nos Estados Unidos e exercer seu trabalho por uma suposta “ameaça terrorista”; nem dos iranianos, que tiveram que fugir para o México após as partidas por conta da represália Trumpista.
O futebol une os povos, mas ele também é ferramenta política. A Copa da diáspora, disputada em um país com problemas estruturais severos contra a imigração – vale lembrar que os Estados Unidos nasceram a partir de imigrantes – deixa tudo mais irônico.
Como Nelson Rodrigues disse “o futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes”. Da alegria caboverdiana à mancha autoritária norte-americana, a Copa do Mundo mostra aquilo de mais singelo que o homem tem: seu instinto humano. A sede de poder também faz parte do homem. E, no caso da Copa do Mundo de 2026, este homem é Donald Trump.
*Nathan Marcelino é estudante de jornalismo da UFJF
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