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A educação da criança

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No processo educativo de uma criança, creio que há um justo meio-termo entre a severidade excessiva dos pais que reprime a criança e o outro extremo da excessiva frouxidão que permite a criança fazer o que queira com o pretexto de que desenvolva a sua personalidade. Sobre isso, deve-se lembrar que o permissivismo é um erro que gera indisciplina e insegurança na criança.

Para evitar na criança a confusão e o queixume, depois de fixadas certas normas justas e adequadas à idade, dever-se-á ser firme no seu cumprimento, de maneira tal que se lhe torne um hábito. Deve a criança saber que pode confiar na palavra dos pais e que o que for por eles dito sempre se cumpre.

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Desconcertante se torna, porém, para a criança que um dia se aprove e em outro desaprove o mesmo ato, pelo que isto deverá ser evitado. É conveniente, à medida que aumente a capacidade de compreensão da criança, explicar-lhe, se possível, o porquê do que se lhe ordena para ver que o que inspira os pais é o desejo do bem comum ou o seu próprio bem. Não se transformará assim em autômata e terá consciência dos benefícios decorrentes do cumprimento de seus deveres. Consequentemente a criança obedecerá aos pais por amor e também pelo desejo de que se lhe reconheçam as boas qualidades.

Sem chegar a extremos contraproducentes, deve-se elogiar o bom procedimento da criança, estimulando-a a persistir em fazer o bem. Não se deve aplicar castigos que possam danificar física ou moralmente a criança. A privação de alguma gulodice favorita ou passeio e, nas crianças mais sensíveis, a firme desaprovação de um mau procedimento, basta em geral como penalidade, sem se esquecer de que, uma vez cumprida, deve a criança ter a sensação de que tudo ficou em paz, pois lhe faz mal suportar por muito tempo o sentimento de culpabilidade. Na educação, as penalidades devem transmitir um sentido medicinal e não de vingança. Além disso, não se deve confundir o erro com a criança que erra, porque a criança que erra em razão de sua imaturidade ou de algum vício, não perde a sua dignidade de pessoa humana, e portanto sempre merece estima.

Sabe-se que, frequentemente, os meios de comunicação (incluindo aqui a internet, as redes sociais, os celulares e etc) transmitem conteúdos nocivos e impróprios para as crianças, gerando vícios e problemas psicológicos. Tais conteúdos podem arruinar a formação moral das crianças, dos adolescentes e dos jovens, e por isso, os pais têm o dever de impedir a difusão destes males em seus lares.

Apresentemos à criança o valor dos encontros interpessoais, os clássicos infantis da literatura, das belas artes e da boa música edificante. A verdadeira beleza, uma espécie de espelho do divino, inspira e vivifica os corações e as mentes mais jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade têm um impacto depressivo sobre as atitudes e os comportamentos. Considerando a natureza religiosa da pessoa humana, é importante destacar que os pais têm a missão de ensinar os filhos a orarem e a descobrirem sua vocação de filhos de Deus. Vale lembrar que uma educação baseada no agnosticismo e no ateísmo, gera um vazio espiritual nas crianças que posteriormente terão dificuldades, ao longo da vida, em acreditar no eterno destino do homem.

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A tarefa educativa pertence prioritariamente à família. A família é a primeira e principal escola da vida. Parece crescente o injusto e nocivo costume de transferir totalmente a responsabilidade educativa dos pais para as creches e escolas. Sobre isso, deve-se reconhecer que estas instituições públicas ou privadas ajudam e auxiliam os pais, mas não substituem o papel primordial da família, que permanece como a célula primeira e vital da sociedade.

*Luís Eugênio Sanábio e Souza é escritor

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