“Ih, vai chover, olha.” O que era apenas um aviso corriqueiro, agora é sinônimo de medo e tensão em Juiz de Fora devido aos dias em que vários pontos do município ficaram submersos ou enfrentaram deslizamentos e transtornos. As ações seguintes, de ajuda, socorro ou orientações do que fazer após dias difíceis foram determinantes para que a tragédia não se agravasse ainda mais.
Em vários locais da cidade, os efeitos das fortes chuvas deixaram marcas visíveis e invisíveis. De locais destruídos ao receio de uma nova tempestade. E a comunicação e suas ferramentas diversas, on-line e offline, vocalmente ou disparadas a todos os equipamentos eletrônicos simultaneamente, foram fundamentais para guiar as pessoas num momento em que o pânico se instalou, funcionando como uma luz na escuridão. Passou de fonte de informação para um pilar de organização e reconstrução.
Isso foi possível ao informar por fontes oficiais as vias interditadas, os riscos, onde localizar abrigo, como acionar equipe de resgate, quais serviços disponíveis e a força da própria população, por meio de grupos regionalizados, pontos de apoio, doações rápidas, locais de impacto imediato, imagens mais aproximadas e ajuda para os equipamentos governamentais.
Seja por redes sociais ou por meio da fala de uma figura de autoridade, uma atualização confiável ou uma orientação objetiva pode fazer a diferença entre agir com segurança ou tomar decisões precipitadas, principalmente no que tange a recorrer a ajuda.
A reconstrução de uma cidade também necessita disso. Além do esforço contínuo dos órgãos municipais e federais, depois que a água baixa, começa uma segunda etapa igualmente desafiadora: informar a população sobre pontos de apoio, mutirões de limpeza, campanhas de doação, vacinação, recuperação de documentos, atendimento psicológico, retorno das aulas e funcionamento dos serviços públicos.
Por isso, comunicar após a tragédia é tão importante quanto agir durante ela. Porque, depois das chuvas, uma cidade só consegue se levantar de verdade quando todos sabem para onde ir, em quem confiar e como seguir em frente.
*Rafael Rodrigues é jornalista
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