Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos e no Evangelho Segundo o Espiritismo, nos traz valoroso conteúdo a cerca das questões que envolvem a vida e o aborto provocado. A espiritualidade superior traz-nos esclarecimentos preciosos, alertando-nos que o primeiro direito natural do homem é o de viver. Inicia-se a vida no momento da concepção no ventre materno. Esclarece-nos que a passagem do homem pela existência corpórea cumpre uma designação divina, necessária ao nosso progresso, enquanto ser eterno. Percurso que nos faz crescer em inteligência, a cuja perfeição chegaremos pelas asas do saber e do amor.
O espírito cuja vivência no corpo físico é impedida através do aborto provocado tem nulificada sua existência e terá que recomeçar em outra oportunidade. Sofre pelo impedimento de passar pela reencarnação através de ato criminoso, sinônimo de transgressão das Leis de Deus. Obedecendo, igualmente, a leis de causa e efeito, consequências também alcançarão todos os envolvidos nessa escolha. Lembremo-nos de que a vida obedece a cuidadoso programa espiritual, cujo impedimento desfaz a chance do recomeço de um espírito em sua longa trajetória reencarnatória.
O que dizer do sofrimento daquele que ainda não possui recursos para se defender? Na condição de embrião ou feto, o grito é silencioso e o apelo inaudível no campo material.
Jesus, há cerca de 2000 anos, numa conversa com Nicodemos, já nos alertava que, para conhecermos o reino de Deus, teríamos que nascer de novo. Junto aos seus apóstolos, esclareci-a-os sobre a trajetória da alma através de muitas experiências, buscando luz até a perfeição, conquistada por rudes caminhos.
Se o mal está na esteira de nossa existência, busquemos o caminho do arrependimento e da reparação. Também foi Jesus que libertou a mulher pecadora, dizendo-lhe que não a condenava, mas que ela não voltasse a errar, para que não lhe sucedesse o pior. Foi Nosso Mestre que nos trouxe o roteiro de ascensão espiritual, esclarecendo-nos que o amor cobre a multidão dos nossos pecados.
São as experiências na vida material grandes oportunidades de crescermos em espírito. Chances de fazermos sorrir aquele que fizemos chorar. De amar aquele que maltratamos. De vestir aqueles que desnudamos pelo egoísmo, pela inveja, pelo orgulho ou pela vaidade. Deixando para trás os vícios que obscurecem nossa alma, numa sementeira de bondade genuína, vamos incorporando luz, num esforço disciplinado, combatendo o bom combate, vencendo nossas imperfeições, num progresso individual rumo à perfeição.
*Denise Gasparetti Drumond – Comunidade Espírita “A Casa do Caminho”
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