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Oratória e comunicação

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Em nenhum outro setor da vida humana o progresso se fez notar de modo mais evidente, nos últimos cinquenta anos, que no campo da comunicação. A internet e o celular propiciaram a instantaneidade na comunicação entre as pessoas, as redes sociais revolucionaram a difusão do pensamento, no mundo contemporâneo. Nem por isso, entretanto, o contato humano foi superado como forma natural de intercâmbio de ideias, no meio social. Os auditórios e as praças públicas continuam a ser os espaços, por excelência, da comunicação direta dos líderes com o povo ou dos intelectuais com os que desejam ouvi-los e com eles debater. Isso significa dizer que a oratória continua a ter lugar, tanto no ambiente político quanto no âmbito da ciência e das artes, assim como nos templos de qualquer culto. Nos seus diferentes ramos – seja o da oratória política e parlamentar, seja o da oratória judiciária, seja o da oratória acadêmica, seja o da oratória sacra –, a arte de falar em público não perdeu atualidade. Perdeu, sim, em grande parte, cultores e intérpretes.

Na órbita parlamentar é que mais se nota, hoje, carência de grandes tribunos como foram, em passado recente, Otávio Mangabeira, Afonso Arinos, Carlos Lacerda, Pedro Aleixo. Hoje, esse cenário empobreceu-se de tal forma que a tribuna parlamentar é, não raro, ocupada por grupos de deputados que a ela sobem para fazer bravatas ou exibir-se, como se protagonizassem cenas teatrais, com esparadrapo na boca e peruca feminina ou máscara de boi na cabeça.

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Outros ramos da oratória também se ressentem de valores, especialmente o da oratória sacra. No entanto, pode-se dizer que os gêneros de oratória, em vez de reduzir-se, na verdade, se expandiram com o avanço dos meios de comunicação, reclamando dos seus protagonistas aprimoramento na arte de falar em público. O comentarista político ou o repórter, que expõe ideias ou noticia acontecimentos, falando de improviso, ao sabor das circunstâncias, exercita, de certo modo, a arte da oratória. Mas, em muitos casos, se expressa mal, pela falta de preparo ou de adestramento nessa arte, que não é para amadores. Daí os vícios de linguagem tão fastidiosos que se ouvem, a todo momento, dos quais a inserção, na fala, repetidas vezes, do advérbio “ali”, como se fosse uma forma de pontuação que a narrativa comportasse, é o mais comum.

Continuamos a ter oradores de comício, os meetingueiros, artistas de palanque, pobres de ideias, mas com admirável destreza na arte de sofismar. O mais notório e influente deles faz lembrar a observação de Aristóteles, na sua Arte Retórica: “os oradores incultos são mais hábeis em falar perante uma multidão.”

*Paulo Roberto de Gouvêa Medina é professor Emérito da UFJF 

 

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