Um médico de Ubá, município mineiro a cerca de 110 quilômetros de Juiz de Fora, foi preso em flagrante, nesta quinta-feira (21), alvo de medidas cautelares pelo suposto envolvimento em um esquema criminoso que controlava o mercado de fabricação e estampagem de placas automotivas na Zona da Mata e em outras regiões do país.
O médico, que não teve nome divulgado, fazia parte de uma organização criminosa suspeita de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de cartel. Com o intuito de desarticular o grupo, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagraram, na quinta, a operação “Guildas Medievais”. No total, foram realizados 37 mandados judiciais nas cidades de Muriaé, Perdões, Ubá, Visconde do Rio Branco, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Zona da Mata. Entre os mandados cumpridos estão 19 de busca e apreensão, dez cautelares de monitoramento eletrônico e oito determinações de suspensão das atividades de empresas ligadas à estampagem e comercialização de placas veiculares. Também foram apreendidos mais de R$ 30 mil em espécie, além de aparelhos eletrônicos, computadores, uma arma de fogo e outros materiais considerados de interesse para as investigações.
Cartel aliciava empresas e manipulava ofertas de produtos
Segundo as apurações, o cartel investigado atuava por meio de diferentes núcleos, com divisão de funções entre os integrantes. Entre eles, havia estruturas voltadas à coação, à contabilidade e ao controle financeiro das empresas envolvidas.
A suspeita do MPMG é de que os investigados aliciavam empresas do setor de placas automotivas para integrar o cartel. A ideia seria controlar o mercado regional, restringir a concorrência, fixar artificialmente preços e manipular ofertas de produtos.
As investigações apontam que o grupo fazia o controle do faturamento declarado de dezenas de empresas. Depois, os lucros eram distribuídos entre os participantes conforme critérios internos, como o tempo de atuação no mercado. Também há indícios do uso de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para lavagem de dinheiro e outras irregularidades. Segundo o MPMG, empresários que resistiam a aderir ao esquema teriam sido alvo de coação e ameaças.
A investigação também apura a possível participação de agentes públicos no esquema. A suspeita é de que a atuação desses servidores teria contribuído para a manutenção das práticas investigadas.
*Estagiário sob supervisão do editor Bruno Kaehler

