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BR-040 tem 11 mortes em acidentes por excesso velocidade entre Juiz de Fora e BH em sete meses

Motociclista morre

BR-040 terá radares atualizados entre Belo Horizonte e Juiz de Fora

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O trecho da BR-040 entre Belo Horizonte e Juiz de Fora registrou 11 mortes em acidentes classificados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) como relacionados à “velocidade incompatível” entre janeiro e julho de 2026. O número registado no período já supera o total verificado nos dois anos anteriores: tanto em 2024 quanto em 2025, foram oito mortos de janeiro a dezembro.

Na comparação com os primeiros sete meses de 2025, o número de mortes passou de três para 11, apesar da redução nos acidentes e nos feridos. Entre janeiro e julho deste ano, a PRF contabilizou 54 ocorrências e 59 pessoas feridas. No mesmo período do ano passado, foram 61 acidentes e 67 feridos.

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Para a engenheira de tráfego Stephanie Mendes, os números indicam que as ocorrências ficaram mais graves, e não mais frequentes. A análise, segundo ela, também precisa levar em consideração o tipo de acidente, as vítimas envolvidas e as condições em que cada caso ocorreu. Colisões frontais, saídas de pista em curvas e acidentes envolvendo motociclistas ou pedestres, por exemplo, apresentam maior potencial de letalidade.

“Velocidade é o fator que mais pesa na gravidade: a mesma colisão a uma velocidade um pouco maior tem uma chance muito maior de ser fatal”, explica Stephanie. A engenheira ressalta ainda que a classificação de “velocidade incompatível” utilizada pela PRF não se limita aos casos em que o motorista ultrapassa o limite regulamentado, já que também pode envolver uma velocidade inadequada para situações de chuva, neblina, curvas ou condições do tráfego.

Características da rodovia podem ampliar riscos

Além de diminuir o tempo disponível para reação e aumentar a distância necessária para frear, a velocidade pode tornar mais graves as consequências de uma colisão. Na avaliação de Stephanie, esse risco ganha importância em uma rodovia como a BR-040 por conta de características encontradas ao longo do trajeto entre Juiz de Fora e Belo Horizonte.

Entre os fatores citados pela engenheira estão trechos de serra com curvas e descidas longas, tráfego intenso de caminhões e diferenças significativas de velocidade entre veículos pesados e leves. Stephanie também aponta travessias urbanas, curvas com visibilidade reduzida, acessos sem faixas adequadas de aceleração e desaceleração, pontos com menor aderência do pavimento e trechos sem separação física entre os sentidos como condições que podem agravar uma ocorrência.

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A comparação com os anos anteriores mostra que a quantidade de acidentes relacionados à “velocidade incompatível” permaneceu próxima antes do aumento de mortes registrado em 2026. Em 2024, foram 106 ocorrências, com 149 feridos e oito mortos. No ano seguinte, a PRF registrou 109 acidentes, 152 pessoas feridas e novamente oito mortes.

Embora os números deste ano apontem para menos acidentes até julho, a PRF destaca que a velocidade continua entre os fatores associados às ocorrências mais graves nas rodovias federais. “O excesso de velocidade é uma das principais causas de sinistros graves nas rodovias federais de Minas Gerais e do país. Toda vez que um motorista opta por transitar com excesso de velocidade ou com velocidade incompatível, ele potencializa o risco de se envolver em sinistros graves”, afirma o agente Leonardo Stirget.

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A orientação da PRF é para que os motoristas respeitem os limites estabelecidos e adaptem a condução às condições encontradas na rodovia. Segundo Leonardo, uma direção defensiva e preventiva reduz a possibilidade de envolvimento em acidentes, principalmente em pontos considerados mais críticos.

Radares registram quase 450 mil excessos

Além das ocorrências contabilizadas pela PRF, dados da EPR Via Mineira mostram volume elevado de excessos de velocidade no trecho concedido. Entre janeiro e agosto de 2026, os 68 pontos de monitoramento distribuídos pelos 232 quilômetros da BR-040 entre Belo Horizonte e Juiz de Fora contabilizaram 449.874 registros.

Em Juiz de Fora, um veículo foi flagrado a 146 km/h no km 761,7, onde o limite é de 40 km/h. A velocidade ficou 265% acima da permitida, o maior excesso percentual entre os casos apresentados pela concessionária. Já a maior velocidade absoluta ocorreu em Nova Lima, no km 546, onde um veículo chegou a 192 km/h em um trecho limitado a 100 km/h.

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Também houve registros em Cristiano Otoni, onde um veículo passou a 123 km/h por um ponto com limite de 60 km/h, e em Carandaí, onde a velocidade chegou a 95 km/h em um trecho com máxima de 40 km/h.

Para Stephanie, no entanto, um grande volume de registros em determinados locais não deve ser analisado apenas a partir do comportamento individual dos condutores. “Quando muita gente ultrapassa o limite no mesmo trecho, a própria via pode estar ‘convidando’ a correr. Ela parece mais segura do que é, ou o limite não é compatível com o que o motorista percebe.”

Segundo a engenheira, a configuração da rodovia e a sinalização também precisam induzir o motorista a adotar uma velocidade compatível com cada trecho. Por isso, os radares são uma das ferramentas disponíveis, mas seu uso isolado não é suficiente. Equipamentos fixos podem fazer com que o condutor reduza a velocidade próximo ao ponto fiscalizado e volte a acelerar posteriormente.

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Entre as intervenções que podem contribuir para reduzir os riscos, Stephanie cita o reforço da sinalização em curvas, sonorizadores e marcas no pavimento, revestimentos antiderrapantes, barreiras de proteção, áreas de escape para caminhões, correções em pontos críticos e melhorias nas travessias urbanas. As medidas, segundo ela, devem ser combinadas à fiscalização e à análise dos locais onde acidentes e excessos de velocidade se concentram.

Procurada pela Tribuna, a EPR Via Mineira afirma atuar em frentes de infraestrutura, operação, sinalização, monitoramento e atendimento a ocorrências, além de desenvolver ações de educação para o trânsito. Por meio do Programa Conviver, a concessionária informa levar orientações a motoristas, caminhoneiros, pedestres, trabalhadores e moradores de comunidades próximas à rodovia sobre respeito aos limites de velocidade, uso do cinto de segurança, manutenção dos veículos e prevenção de acidentes.

Para a concessionária, os registros deste ano reforçam a necessidade de atuação conjunta entre infraestrutura, fiscalização e comportamento responsável dos usuários para ampliar a segurança no trecho.

*Estagiário sob supervisão da editora Fabíola Costa

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