
O ônibus envolvido no grave acidente que deixou dez mortos na BR-040, em Petrópolis, não estava habilitado nos sistemas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para realizar o transporte interestadual de passageiros. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (17) pela Agência Brasil, após apuração junto ao órgão regulador. Segundo a ANTT, diante das informações disponíveis, a viagem foi caracterizada como transporte clandestino de passageiros.
O veículo, identificado como Estrela Guia Turismo, havia partido de Belo Horizonte com destino ao Rio de Janeiro quando tombou, na madrugada de domingo (16), durante a descida da Serra de Petrópolis. O acidente ocorreu no km 91 da BR-040, a cerca de 120 quilômetros de Juiz de Fora.
Segundo a apuração, o ônibus está registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. A ANTT informou que nenhuma das duas empresas está habilitada pelo órgão. Também não foi localizada, nos sistemas da agência, uma empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem.
Adesivo no ônibus também cita empresa sem habilitação
Ainda conforme as informações repassadas pela ANTT à Agência Brasil, o ônibus apresenta um adesivo do órgão regulador em nome da empresa Samara. A situação dessa empresa, no entanto, também é de inaptidão perante a agência.
Após a divulgação das informações, o advogado Aroldo Leão Braz, da assessoria jurídica da Estrela Guia, informou à Agência Brasil que a empresa não se manifestaria sobre o caso naquele momento e que eventuais esclarecimentos seriam apresentados nos processos dos quais ela venha a fazer parte.
A Tribuna de Minas entrou em contato com a ANTT para obter mais detalhes sobre a situação cadastral do ônibus, das empresas relacionadas ao veículo e da operação realizada no domingo. A reportagem também procurou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Rio de Janeiro em busca de informações sobre a regularidade do transporte e as circunstâncias da viagem. Até a publicação desta matéria, os dois órgãos não haviam respondido aos questionamentos. O espaço segue aberto.
Acidente deixou dez mortos e dezenas de feridos
De acordo com a PRF, 56 pessoas estavam no ônibus, incluindo o motorista e dois ajudantes. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), por sua vez, aponta que 49 vítimas foram atendidas no local do acidente. O número considera os atendimentos realizados pelas equipes de resgate e não representa, necessariamente, o total de ocupantes do veículo.
Os bombeiros foram acionados às 4h42 de domingo para atender à ocorrência. Algumas vítimas ficaram presas às ferragens, e foi necessário realizar escavações para que os militares conseguissem acessar e retirar passageiros. Oito pessoas foram encontradas mortas no local. Posteriormente, a PRF atualizou para dez o número total de óbitos relacionados ao acidente. Todas as vítimas fatais são mulheres e, entre elas, há uma criança.
Na atualização divulgada pela Agência Brasil nesta segunda-feira, o Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, informou ter recebido 11 vítimas. Seis tiveram alta e cinco permaneciam internadas. Já o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, recebeu 14 vítimas. Uma mulher de 34 anos morreu enquanto recebia os primeiros socorros. Entre os demais pacientes levados para a unidade, oito receberam alta e cinco permaneciam internados, sendo duas crianças e três adultos, todos em quadro estável.
A investigação sobre as causas do tombamento está sob responsabilidade da 105ª Delegacia de Polícia, em Petrópolis. Conforme informado anteriormente pela PRF à Tribuna de Minas, o laudo sobre o acidente ainda não havia sido concluído nesta segunda-feira, e o prazo previsto para finalização é de até cinco dias.
A Tribuna também procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Petrópolis para obter informações atualizadas sobre o estado de saúde das vítimas que permanecem internadas. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
