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De olho em BH e Brasília, seis vereadores de Juiz de Fora voltam às urnas em 2026; saiba quem são

Camara Municipal de Juiz de Fora FELIPE COURI
(Foto: Felipe Couri)
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Pouco mais de um quarto dos vereadores da Câmara Municipal de Juiz de Fora está de volta às campanhas eleitorais mesmo com o mandato em curso. Dos 23 integrantes do Poder Legislativo local, seis disputam as eleições de 2026 de olho em uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados: Cinco concorrem a deputado estadual, enquanto um tenta uma vaga parlamentar em Brasília.

Com atual legislatura na Câmara Municipal, mas pleiteando outros cargos estão o Dr. Antônio Aguiar (União Brasil), João do Joaninho (PSB), Roberta Lopes (PL), Laiz Perrut (PT) e Tiago Bonecão (Democrata), como candidatos estaduais e Sargento Mello Casal (PL) tentando o mandato federal. 

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O movimento também se repete em outras cidades da região. Em Barbacena, Sandro Heleno (Rede) tenta uma vaga na Câmara dos Deputados pela Federação PSOL-Rede. Reeleito vereador em 2024, ele é candidato a deputado federal.

Na disputa por uma das 77 cadeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), aparecem outros quatro vereadores de cidades da Zona da Mata. Em Coimbra, Chico Vieira concorre pelo PSB e está atualmente no segundo mandato consecutivo na Câmara Municipal. É o mesmo caso da vereadora de Viçosa, Marly da Causa Animal (PRD). Já em Ponte Nova, a hoje vereadora Fernanda Bitenco, do Agir, também tenta uma vaga como deputada estadual. De São João del-Rei, no Campo das Vertentes, a vereadora Sinara Campos (PV) também concorre a um mandato estadual.

Para o professor e pesquisador do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Luiz Ademir de Oliveira, o movimento passa principalmente pelo construção de carreira política, estratégia de manutenção da imagem pública e projeção da visibilidade para além dos limites do município. Seis dos candidatos que oficializaram suas candidaturas na cidade já estavam sendo cotados há alguns meses. Conforme destacado pelo docente e cientista político, embora ganhar seja o objetivo, a participação no pleito já amplia o capital político dos postulantes.

Entre muitas motivações para esse movimento, Luiz Ademir elenca que, depois de conquistar uma cadeira na Câmara e formar uma base eleitoral, o vereador pode enxergar outras disputas como um caminho para ampliar seu capital político. Mesmo sem vitória, uma candidatura a deputado pode ajudar o político a “manter o nome em evidência”, ampliar sua base e chegar mais consolidado à eleição municipal seguinte, inclusive a uma eventual tentativa de reeleição como vereador. Uma campanha estadual ou federal também permite ultrapassar os limites do município e alcançar eleitores de outras cidades da região, conforme ele explica. “Ele se coloca em campanha, o nome ganha visibilidade”, resume Luiz Ademir. Dentro da própria cidade, a exposição também pode abrir espaço para a conquista de novas bases eleitorais.

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Movimentos político em Juiz de Fora

No PL, a estratégia passa por uma dobradinha em Juiz de Fora. A vereadora Roberta Lopes disputa uma vaga como deputada estadual, enquanto seu correligionário, o vereador Sargento Mello Casal, concorre a deputado federal. Único entre os seis vereadores a mirar o Legislativo federal, Mello Casal disputa espaço com outros nomes ligados à cidade, tal como o ex-vereador e ex-deputado federal Charlles Evangelista, também do PL, que chegou a ser cotado para representar o PL como vice ao governo de Minas, mas optou por buscar um novo mandato na Câmara dos Deputados.

No campo da esquerda, está a candidatura de Laiz Perrut que faz campanha para deputada estadual, também com outro nome do mesmo partido pleiteante ao cargo, o candidato a reeleição Betão.

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Na análise do doutor em Ciência Política, há um calculo dentro dos partidos para analisar quais nomes são mais possíveis. Todos que fazem parte da atual disputa tiveram resultados que variaram de 3.036 a 7.924 votos, mas o desafio ainda é grande. “Para se eleger a deputado estadual, são no mínimo 40 mil votos, dependendo da legenda. No caso federal, muito mais”, afirma Luiz Ademir.

Pardal que até então também ainda não havia se pronunciado, decidiu não concorrer. O vereador do União Brasil, entretanto, não declarou apoio ao seu colega de partido Dr. Antônio Aguiar, que tenta uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas. Em seus perfis nas mídias sociais, o político deixou claro que sua aliança é com Noraldino Júnior e Katia Dias, ambos os candidatos do PSB.

Filiado ao PSB e candidato a deputado estadual, o vereador João do Joaninho escolheu outro nome para apoiar e trabalhar em articulação na campanha: trata-se do ex-vereador de Governador Valadares e atual deputado federal e candidato a reeleição, Euclydes Petterson, do Republicanos.

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Quem fecha a lista de candidatos é Tiago Bonecão (Democrata). O político saiu de licença do mandato de vereador para se concentrar na campanha. Quem assumiu seu lugar, durante essas semanas, foi o primeiro suplente do PSD, Yuri Fófano.

Vale a pena entrar na disputa?

Nas últimas eleições gerais, em 2022, a presença de vereadores de Juiz de Fora na disputa era maior. Dos 19 parlamentares que compunham a Câmara Municipal à época, 11 concorreram a outros cargos, o equivalente a 58% da Casa, conforme mostrou reportagem da Tribuna de Minas. Neste ano, são seis entre os 23 vereadores, ou seja, 26% do total.

Na avaliação do cientista político Luiz Ademir, as articulações partidárias e a necessidade de ampliar a campanha para outros municípios – e, consequentemente, mobilizar mais recursos – podem a explicar por que menos vereadores de Juiz de Fora decidiram se lançar na disputa neste ano.

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Para Luiz Ademir, a candidatura de um vereador a deputado passa por dois filtros: o cálculo do próprio parlamentar e o cálculo do partido. No primeiro, pesam recursos financeiros, estrutura, votação anterior e capacidade de buscar eleitores na região. Também é considerado a montagem da chapa, os puxadores de votos, a distribuição regional das candidaturas e o potencial de cada nome de contribuir para a votação.

Então, somente os nomes que se consideram mais competitivos acabam fazendo esse cálculo de custo benefício, observa o pesquisador. “Então eu avalio que essas candidaturas, os vereadores, elas têm um intuito maior de reforçar o capital político e manter o vínculo com as bases eleitorais, com os eleitores ampliar essas bases e manter a visibilidade midiática, mais do que considerar as chances de uma vitória”, complementa.

Em cidades de médio porte, como Juiz de Fora, o docente explica que vereadores com mais de um mandato e bases eleitorais consolidadas no município e na região tendem a ter candidaturas mais competitivas. Segundo o cientista político, mesmo quando a vitória é improvável, essas candidaturas podem reforçar o capital político, ampliar a base eleitoral, manter a visibilidade e somar votos para a legenda. “A busca é por um ganho: eleitoral, ou seja, ser eleito, ou político, que envolve a visibilidade para disputas posteriores”, finaliza.

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