Ícone do site Tribuna de Minas

Denúncias de assédio eleitoral quase dobram entre os dois turnos em Minas Gerais

ASSEDIO ELEITORAL FOTO Paulo Pinto Agencia Brasil
PUBLICIDADE

Minas Gerais encerrou as eleições de 2026 como o segundo estado com mais denúncias de assédio eleitoral no país, com 212 registros até o fim do segundo turno, em 25 de outubro. O número representa um aumento de aproximadamente 93% em relação ao primeiro turno, quando haviam sido contabilizadas 110 denúncias no estado. Em todo o Brasil, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 1.939 denúncias ao longo do período eleitoral. Desse total, 946 ocorreram entre o primeiro e o segundo turnos.

Entre os episódios relacionados ao tema estão publicações de duas deputadas estaduais eleitas pelo Partido Liberal (PL), no Rio de Janeiro e no Paraná, que sugeriram a demissão de trabalhadores que manifestaram apoio ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A dispensa de funcionários motivada por posicionamento político pode configurar discriminação nas relações de trabalho.

PUBLICIDADE

O assédio eleitoral no ambiente profissional ocorre quando trabalhadores são pressionados, constrangidos ou intimidados para votar, deixar de votar ou manifestar apoio a determinado candidato, partido ou posicionamento político. A prática pode configurar crime e viola o direito à liberdade de escolha eleitoral.

Durante a campanha, o MPT manteve equipes de plantão em todo o país para atender às ocorrências mais urgentes. Conforme o órgão, a maior parte das denúncias esteve relacionada à disputa pela Presidência da República.

Ao longo do processo eleitoral, o Ministério Público do Trabalho ajuizou 59 ações civis públicas para combater o assédio eleitoral. Dessas iniciativas, 52 resultaram em decisões liminares, medidas judiciais urgentes e provisórias destinadas a garantir o direito ao voto livre dos trabalhadores.

Também foram firmados 53 Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), nos quais empregadores assumiram o compromisso de não interferir nas escolhas eleitorais de seus funcionários.

PUBLICIDADE

Deputadas sugerem demissões por posicionamento político

No Rio de Janeiro, a deputada estadual eleita Índia Armaleu (PL), a mais votada do estado, com 248.504 votos, compartilhou nas redes sociais, nessa segunda-feira (26), mensagens sugerindo que empresários demitissem funcionários que demonstrassem apoio a Lula.

“Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez o ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, afirma uma das mensagens reproduzidas no perfil da parlamentar.

PUBLICIDADE

No Paraná, a deputada estadual eleita Jéssica Ramos Moreno (PL) também publicou uma mensagem nas redes sociais, no domingo (25), incentivando a demissão de trabalhadores que votaram no PT. “Você tem uma empregada que é petista? Demita!”, escreveu.

A demissão de trabalhadores em razão de suas preferências políticas pode caracterizar discriminação nas relações de trabalho, conduta vedada pela legislação brasileira, incluindo a Constituição Federal e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Empresário ofereceu viagem para eleitores não votarem

Entre os casos registrados durante o segundo turno está o do empresário Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás. Ele publicou um vídeo nas redes sociais oferecendo uma viagem com todas as despesas pagas para Caldas Novas (GO), destinada a mil apoiadores de Lula.

PUBLICIDADE

A proposta tinha como objetivo impedir que esses eleitores comparecessem às urnas no segundo turno. Diante da situação, a Justiça do Trabalho concedeu uma liminar para impedir a realização da iniciativa, estabelecendo multa de R$ 100 mil por trabalhador identificado nessa condição.

Outro tipo de violação registrado nas eleições foi a restrição à saída de funcionários para votar. Na Bahia, a empresa Total Atacado foi alvo de uma decisão judicial após denúncias de que empregados de unidades localizadas em Salvador e Lauro de Freitas não haviam sido liberados para participar do primeiro turno.

Por meio de liminar, a Justiça determinou que a empresa adotasse uma escala de trabalho que garantisse aos funcionários o direito de comparecer às urnas.

PUBLICIDADE

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe

Sair da versão mobile