
Juiz de Fora chega às Eleições 2026 com 362.662 eleitores com biometria cadastrada, o equivalente a 91,83% dos 394.921 aptos a votar no município. Outros 32.259, que representam 8,17% do eleitorado, não possuem o registro biométrico. A informação foi confirmada pelo Cartório da 153ª Zona Eleitoral de Juiz de Fora à Tribuna de Minas.
Na comparação com as eleições municipais de 2024, o total de eleitores biometrizados aumentou em 15.160. Naquele ano, 347.502 dos 390.203 eleitores aptos tinham biometria, correspondendo a 89,06%. Em dois anos, portanto, a cobertura avançou 2,77 pontos percentuais.
“É um número relevante, considerando que a maioria já estava biometrizada”, avalia o analista judiciário e chefe do Cartório da 153ª Zona Eleitoral, Eduardo Braga, em contato com a Tribuna.
Juiz de Fora já partia de cobertura elevada
Segundo Eduardo, entre 2024 e 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) realizou uma campanha em todo o estado para alcançar os eleitores que ainda não tinham biometria cadastrada.
Em Juiz de Fora, no entanto, a mobilização partiu de um cenário em que a cobertura já era elevada. O município passou por uma revisão biométrica obrigatória em 2019 e 2020, o que fez com que grande parte do eleitorado já estivesse cadastrada antes da campanha mais recente. Dessa forma, o número de pessoas que ainda precisava realizar o procedimento era proporcionalmente menor.
Nesse intervalo, o contingente de eleitores sem biometria passou de 42.701, em 2024, para 32.259 neste ano, uma diferença de 10.442 pessoas.
Procura pela biometria vai além das eleições
Ao comentar o perfil dos atendimentos realizados pela Justiça Eleitoral, Eduardo chama atenção para uma demanda que ultrapassa o calendário eleitoral.
“A maior procura por fazer biometria na Justiça Eleitoral nem é para fins eleitorais”, afirma.
Um dos principais motivos, segundo o analista, é o acesso a serviços da plataforma Gov.br. A biometria registrada na Justiça Eleitoral pode ser utilizada na validação da identidade necessária para elevar uma conta aos níveis mais altos de segurança da plataforma. Nesse processo, o reconhecimento facial realizado pelo Gov.br compara os dados do usuário com a base disponível na Justiça Eleitoral.
Eduardo relata que a facilidade de atendimento também contribuiu para essa procura em Juiz de Fora. Segundo ele, enquanto outras formas de validação da identidade podem depender de agendamento, o atendimento para coleta biométrica na Justiça Eleitoral local não exigia marcação prévia enquanto o cadastro estava aberto. Com isso, o serviço acabou se tornando uma alternativa para pessoas que buscavam ampliar o acesso a ferramentas digitais do Governo Federal.
A utilização dos dados, portanto, ultrapassa o período eleitoral. Além da identificação no momento do voto, a biometria coletada pela Justiça Eleitoral integra a estrutura de identificação civil utilizada para acesso a diferentes serviços públicos.
Ausência de biometria não impede o voto
Apesar de mais de 32 mil eleitores de Juiz de Fora ainda não possuírem biometria cadastrada, a ausência do registro, por si só, não impede a participação nas Eleições 2026. Quem estiver com o título em situação regular poderá comparecer à seção eleitoral e votar normalmente, mesmo sem ter realizado a coleta biométrica.
Neste momento, quem ainda não realizou a biometria não poderá fazer o cadastro antes das eleições. O prazo para alterações no cadastro eleitoral terminou em maio e, segundo o TRE-MG, o serviço será retomado em 3 de novembro, quando o cadastro eleitoral será reaberto.
Até lá, a orientação para quem não possui biometria é verificar se o título está regular e comparecer à seção eleitoral com um documento oficial de identificação. A ausência do registro biométrico não substitui outras exigências para o exercício do voto, mas também não representa, isoladamente, um impedimento para votar.
Série “Como Funciona”
A série “Como Funciona” faz parte da cobertura da Tribuna de Minas para as eleições gerais de 2026 e traz informações de serviço para ajudar o eleitor a chegar às urnas sem dúvidas. As matérias partem de situações práticas da votação e das regras definidas pela Justiça Eleitoral.
Os textos explicam procedimentos, direitos e deveres de forma direta, com informações sobre o que o eleitor precisa saber antes e durante o dia da eleição. Eventuais dúvidas ou sugestões de assuntos podem ser enviados para a Tribuna pelo WhatsApp: 32 9 8405-5888.
* Estagiário sob supervisão do editor Arthur Raposo Gomes.
