A disputa pelo Governo de Minas e pelo Senado também passa pelas redes sociais digitais, mas nem sempre são as propostas para o estado que ganham espaço nas publicações dos candidatos. A associação a lideranças nacionais, a valorização da própria trajetória e as críticas a adversários e instituições estão entre as estratégias identificadas em um levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX), que analisou como as candidaturas mineiras têm utilizado o Instagram durante a campanha eleitoral.
O estudo faz parte dos Hubs Regionais 2026, que acompanham a produção e a circulação de conteúdos eleitorais nas disputas estaduais. No relatório mais recente, divulgado na terça-feira (22), o instituto analisou publicações feitas entre 31 de agosto e 15 de setembro, identificando diferentes formas de construir a imagem dos candidatos e de relacionar as eleições em Minas ao debate político nacional.
O levantamento é realizado em cooperação com a Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), além de parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Universidade Federal do ABC (UFABC), a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Associação a presidenciáveis
O levantamento aponta que “a lógica de vincular a disputa estadual às figuras presidenciais seguiu estruturando as campanhas nos dois campos”. Flávio Roscoe (PL) foi quem mais utilizou essa estratégia, concentrando sua comunicação nos comícios ao lado dos correligionários, o senador e presidenciável, Flávio Bolsonaro, e o deputado federal Nikolas Ferreira, além do mote “quem vence em Minas, vence o Brasil”, utilizado pelo presidenciável.
Patrus Ananias (PT) fez um movimento semelhante à esquerda, convocando a militância para uma mobilização nacional no dia 13 de setembro, com o jingle do partido. Ele também publicou um vídeo com Lula, relembrando quando foi chamado para assumir o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, cargo que ocupou entre 2004 e 2010.
Na disputa pelo Senado, Marília Campos (PT) associou sua imagem à defesa de Lula, publicando um comício com a faixa “Lula do Brasil” e um discurso em defesa da democracia e da soberania.
Entre os candidatos de direita, Marco Antônio Superman (Novo) “apoiou boa parte da sua visibilidade na chancela de nomes maiores”, segundo o relatório. O candidato apareceu em um comício de Cleitinho Azevedo (Republicanos), candidato ao Governo de Minas Gerais que declarou apoio à candidatura do filiado no Partido Novo ao Senado, e na “colinha” de votação publicada por Nikolas Ferreira.
Domingos Sávio (PL) seguiu a mesma estratégia, gravando um vídeo de apoio mútuo com Flávio Bolsonaro para associar as duas candidaturas. Ele também divulgou a indicação de Nikolas Ferreira, que o apresentou como a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Construção da imagem pessoal
Quem não tinha figuras na disputa nacional para se apoiar investiu na construção da própria imagem. Segundo o levantamento, Alexandre Kalil (PDT) apostou, nas últimas semanas, nos resultados de sua gestão como prefeito de Belo Horizonte, destacando ações em infraestrutura, saúde e redução de homicídios. O relatório também aponta que o candidato deu um tom religioso à sua atuação na pandemia e nas enchentes, ao afirmar que “Deus tem o propósito” de que ele governe Minas.
Candidato à reeleição na cadeira de chefe do Poder Executivo estadual, Mateus Simões (PSD) publicou um vídeo em que um apoiador o teria agradecido, espontaneamente, na rua, por obras nas áreas de segurança e saúde. Também buscou construir uma imagem de combate à corrupção ao relembrar o período em que foi vereador de Belo Horizonte e, segundo seu relato, sofreu ameaças de morte por atuar contra um esquema de fraude em licitações.
Mesmo Patrus, que associou sua campanha à imagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também recorreu à própria experiência como ministro do Desenvolvimento Social, dando um tom mais sentimental à trajetória e falando do “amor ao país” que resultou daquele período.
Na disputa pelo Senado, além da associação a Lula, as candidatas do campo progressista investiram na valorização da própria trajetória e na construção de uma candidatura conjunta de mulheres. Marília publicou um depoimento destacando sua experiência à frente do Sindicato dos Bancários e os quatro mandatos como prefeita de Contagem.
Já “Áurea Carolina (PSOL) apostou explicitamente na dobradinha, tanto numa montagem em tom de meme sobre ‘duas mulheres no senado’ ao lado de Marília quanto numa entrevista em que, questionada sobre o quinto lugar nas pesquisas, reforça suas pautas e pede voto para as duas”, detalha o DX sobre o período analisado.
Marcelo Aro (PP), por sua vez, recorreu à própria família para construir sua imagem. Em um vídeo, citou a síndrome de Cornélia de Lange, que acomete sua filha, Maria, e apresentou a pauta das crianças com doenças raras como uma “vocação”. Também publicou uma atualização sobre um processo que moveu contra o autor de ataques digitais à filha, além de um vídeo em que aparece resgatando e adotando um cachorro de rua, ao lado da esposa e dos filhos.

