Sobrecarga de servidores, turmas cheias, baixos salários, infraestrutura precária e críticas a uma política educacional centrada em metas e indicadores estão entre os problemas relatados por profissionais da rede estadual de ensino em Juiz de Fora. Também aparecem preocupações com a aprendizagem dos estudantes e com projetos que, na avaliação de quem vive a rotina escolar, favorecem aprovações sem garantir o domínio dos conteúdos.
Os relatos foram reunidos pela Tribuna de Minas na última semana, em mais uma etapa da edição 2026 do projeto Voto & Cidadania, que tem buscado identificar demandas de Juiz de Fora e região para, a partir deles, ouvir quem disputa o Governo de Minas Gerais.
Diante desse diagnóstico, a Tribuna entrou em contato com as 11 candidaturas ao Governo de Minas Gerais e perguntou: “Qual será a prioridade do seu governo para melhorar a educação estadual em Minas Gerais e, em especial, nas unidades escolares localizadas em Juiz de Fora e Zona da Mata?”.
As respostas são publicadas conforme encaminhadas pelas assessorias, sem edição de conteúdo pela Tribuna. Houve apenas corte nos casos em que o limite de caracteres informado previamente a todas as campanhas foi ultrapassado. Nove dos 11 pleiteantes enviaram resposta até o fechamento desta edição.
A ordem de apresentação dos candidatos, tanto na imagem quanto nesta reportagem, segue o critério alfabético. Confira as propostas:
Alexandre Kalil (PDT)
“Minha prioridade será devolver à escola pública condições reais de ensinar e ao estudante condições de aprender. Em Juiz de Fora e na Zona da Mata, faremos um diagnóstico, escola por escola e com participação da comunidade, para concluir as obras necessárias e implantar manutenção permanente, acessibilidade e segurança, com atenção especial às unidades atingidas pelas fortes chuvas. Quadras, bibliotecas, laboratórios, refeitórios e equipamentos precisam funcionar.
Vamos valorizar professores e demais profissionais, enfrentar a falta de pessoal e a sobrecarga, fortalecer a autonomia das escolas e reduzir a burocracia. Também teremos recuperação da aprendizagem, busca ativa e apoio psicológico e social.
Será um trabalho semelhante ao que desenvolvemos na Prefeitura de Belo Horizonte, onde abrimos cerca de 20 mil novas vagas para crianças de zero a 5 anos na educação infantil, a partir do aproveitamento de salas ociosas, da reforma e reabertura de unidades e da expansão da rede conveniada de creches comunitárias.
Além disso, em parceria com a UFJF, institutos federais, municípios e setor produtivo, ampliaremos a formação docente e a educação profissional ligada às vocações da Zona da Mata: saúde, indústria, pesquisa aplicada, economia criativa e serviços de maior valor agregado.”
Ben Mendes (Missão)
Não enviou resposta até o fechamento desta edição.
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
“A prioridade será garantir aprendizagem, segurança e estrutura adequada para alunos e professores. Em toda Minas, vamos avançar na alfabetização, recomposição da aprendizagem, valorização dos professores, educação integral, tecnologia e melhoria da infraestrutura escolar.
Na Zona da Mata, temos uma necessidade que não pode ser ignorada que é preparar nossas escolas para enfrentar eventos climáticos extremos. As fortes chuvas deste ano atingiram unidades em Juiz de Fora, Ubá, Matias Barbosa e outros municípios. Vamos recuperar as escolas afetadas e investir em estruturas mais seguras e resilientes, articulando educação e prevenção de desastres.
Também vamos fortalecer o ensino técnico de acordo com as vocações econômicas de cada região, melhorar transporte e alimentação escolar e ampliar a educação inclusiva.
A gestão será regionalizada, ouvindo municípios, professores, famílias e estudantes e acompanhando os resultados.”
“A prioridade é o ensino médio. Minas tem a melhor alfabetização do Sudeste e perde o aluno no meio do caminho: sete em cada dez concluintes saem sem matemática elementar. Isso não se resolve com discurso, resolve-se com método – e é o que eu já fiz. Em oito anos à frente da indústria mineira, saímos de 99 mil para 250 mil alunos, com 510 mil matrículas gratuitas e a maior média de Enem do sistema industrial do país.
Faremos três coisas. Gestão por dados, com acompanhamento de frequência, desempenho e evasão em tempo real, premiando quem avança e apoiando quem não avança. Ensino técnico ligado ao que a região produz – em Juiz de Fora e na Zona da Mata, isso significa indústria, café, saúde e tecnologia, para que o jovem não precise sair daqui para ter profissão. E o terceiro turno: quadra da escola aberta à tarde, com treinador e campeonato, porque menino ocupado não é aliciado.
Professor valorizado, carreira clara e meta publicada. Quem publica meta se obriga a cumprir.”
Gabriel Azevedo (MDB)
“Minha prioridade será garantir a aprendizagem no tempo certo. Sou professor e sei que passar de ano não basta: o estudante precisa dominar a escrita, a leitura e a matemática. Vamos usar o Simave para identificar dificuldades e oferecer apoio antes que elas se acumulem.
Em Juiz de Fora e na Zona da Mata, os resultados de cada escola orientarão a distribuição de recursos e a formação docente, com prioridade para as maiores defasagens. A formação continuada será vinculada à sala de aula, em parceria com institutos federais e universidades públicas da região, e reconhecida na carreira. Faremos concursos regulares para reduzir a dependência de contratos temporários, com planejamento orçamentário. A supervisão pedagógica apoiará quem ensina.
Também organizaremos o apoio aos estudantes com deficiência e transtorno do espectro autista. Quero escolas que preparem os jovens para continuar os estudos e trabalhar. O resultado do governo será medido pelo que os alunos aprendem.”
Henrique Áreas (PCO)
Não enviou resposta até o fechamento desta edição.
Indira Xavier (UP)
“Para nós o fortalecimento dos serviços públicos é essencial. É nessa seara, junto com a questão emprego e renda, que a população sente mais a ausência do estado, que quando se apresenta o faz de maneira desastrosa. Foram diversos ataques do governo Zema e Simões a educação: investiram menos que o piso constitucional, tentaram militarizar; com o projeto ‘Trilhas do Futuro’ tiraram dinheiro da rede pública para fortalecer o setor privado; privatizaram 94 escolas e no ensino superior colocaram a UEMG e a Unimontes à venda com o PROPAG e ainda atacam os profissionais em educação em todos os níveis.
Propostas: Revogação do Novo Ensino Médio a nível estadual, propor como alternativa o modelo integral aplicado nos Institutos Federais; ampliar os investimentos para as escolas e universidades estaduais, como as unidades de Leopoldina e Ubá da UEMG; pagamento do piso constitucional para os professores da rede estadual; criação do Programa Estadual de Assistência Estudantil para UEMG e UNIMONTES; abrir novos concursos para trabalhadores da Universidades Estaduais.”
Mateus Simões (PSD)
“A educação do próximo mandato tem como eixo central a modernização: usar a tecnologia como ferramenta fundamental para ampliar a aprendizagem, preparar os jovens para um mercado de trabalho em rápida transformação e garantir que cada estudante da rede pública mineira tenha acesso a oportunidades antes reservadas a poucos. Tecnologia, inclusão e qualificação são os pilares da nossa agenda educacional.
Tecnologia e conectividade nas escolas: expandir a conectividade da rede escolar estadual, com meta de garantir internet de qualidade em 100% das unidades até 2030.
‘Trilhas de Futuro’: o programa será aprofundado com um objetivo claro: conectar educação e mercado de trabalho. Programa de intercâmbio estudantil, uma das experiências mais transformadoras na formação de um jovem.
Ensino médio em tempo integral: aprendizagem e autonomia para as mulheres.
Escolas Cívico-Militares: possibilidade de escolha para pais e alunos.
Inclusão de crianças neurodivergentes e com altas habilidades.”
Patrus Ananias (PT)
“Vamos trabalhar em frentes que garantam o acesso e permanência de estudantes e instituições de ensino, além da valorização de profissionais da educação. O plano prevê a expansão de escolas em e o fortalecimento de mecanismos para o combate à evasão escolar, como auxílio transporte, moradia e alimentação.
Implantaremos o Programa ‘Pé-de-Meia Mineiro’ e regulamentaremos o Programa Estadual de Assistência Estudantil, para que pessoas em vulnerabilidade não tenham que escolher entre sobreviver ou estudar. A inclusão nas escolas será prioridade, com estruturas adequadas, terapias integradas e cuidado com a saúde mental. Vamos buscar auxílios, aposentadoria especial e flexibilidade na jornada dos professores.
Investiremos em Ciência, Tecnologia e Inovação, com parques científicos e tecnológicos. Além disso, a inserção do ensino técnico em escolas de ensino médio e o fortalecimento da qualificação profissional em universidades públicas, institutos de educação e escolas técnicas.”
Rafael Duda (PSTU)
A educação pública está sob forte ataque. Diante da crise econômica iniciada em 2008 que se prolonga, setores do empresariado buscam novas fontes de exploração para recomposição de seus lucros e avançam sobre os serviços públicos com anuência de governos de diferentes matizes ideológicas, chegando mesmo alguns deles a serem parte societária de empresas nos negócios privados da educação. Outro forte ataque é a tentativa de militarizar a escolas através do projeto das escolas cívico militares.
O resultado dessa realidade é uma enorme precarização das relações e condições de trabalho, aprofundamento da desvalorização histórica de professores e funcionários, adoecimento mental e físico sem precedentes na categoria e baixos resultados nos índices de aprendizagem. Nossa prioridade será revogar todo processo de privatização da educação, pôr para fora do MEC todas as fundações privadas, revogar o arcabouço fiscal para ter condições de aumentar o investimento, com 10% do PIB exclusivamente na educação pública. Fazer cumprir a lei do Piso Nacional para professores e funcionários, concurso público e carreira valorizadas.
Túlio Lopes (PCB)
“Nossa candidatura assume o compromisso com a Educação Pública em Minas Gerais, garantindo a efetivação do Plano Estadual de Educação e uma educação popular, laica, crítica, gratuita, democrática e estatal. Respeitaremos a liberdade e a organização sindical, combateremos práticas antissindicais, perseguições e assédio, e criaremos Mesa Permanente de Negociação com sindicatos e associações.
Defenderemos a gestão pública das escolas, o fim da expansão de PPPs e terceirizações, a anulação do leilão de 95 escolas e a não implantação de escolas cívico-militares ou da educação domiciliar como substituição à escola pública.
Ampliaremos vagas e a EJA, com turmas de até 25 estudantes, garantiremos o Piso Salarial, valorização das carreiras, concursos e nomeação de aprovados, além de formação continuada.
Investiremos em infraestrutura, internet, equipamentos, combate ao assédio e ao adoecimento, adaptando as escolas à crise climática e priorizando áreas vulneráveis.”

