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Apoiadores e militantes aguardam chegada de Lula no Centro de Juiz de Fora

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Dulce e Maria Aparecida usam camisas, adesivos e balançam bandeiras em apoio a Lula (Foto: Felipe Couri)

Mesmo com o tempo instável, muitos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, estão concentrados na Praça Clodesmidt Riani, na Região Central de Juiz de Fora, desde às 10h desta sexta-feira (16). Em meio ao alerta de tempestade emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a expectativa é que Lula chegue ao local no início da tarde e siga acompanhando em caminhada pela Avenida Getúlio Vargas, até a Praça Tarcísio Delgado, antiga Praça Antônio Carlos (PAC).

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Dulce Salustiano, 66 anos, e Maria Aparecida Reis, 73, estavam animadas, usando camisas, adesivos e balançando bandeiras em apoio ao candidato petista, que teve sua visita frustrada, em 30 de setembro, por conta das condições climáticas. “Nós viemos aqui hoje porque queremos mudança para o nosso Brasil. Nossas terras raras não são quintal. Quem manda aqui é o brasileiro. Aqui não é terra de outro (país), aqui é nossa terra”, dispara Maria Aparecida, que ainda falou da importância dos votos das pessoas idosas. “Temos que votar. Eu não sou mais novinha não, mas os estudantes e os mais novos vêm aí.” A eleitora também revela que sempre votou no atual presidente. “Conheço o Lula desde 1983, quando eu morava no ABC Paulista. Ele vai ser tetra.”

Ao lado de Maria Aparecida, Dulce enfatiza que está presente no ato a favor de Lula “pela democracia”. “A nossa democracia está ameaçada, assim como os direitos do povo. A classe mais pobre precisa de amparo, de alguém que olhe pela gente, pelos trabalhadores, pelas crianças, por todos os direitos conquistados até hoje. Estamos correndo o risco desses direitos serem cerceados.” Diante dessas colocações, a eleitora afirma que está ali pela luta, “para deixar o Lula mais quatro anos no poder”. “No caso, será o último mandato. Votei nele todas as vezes, sou militante mesmo. É pé no chão, é na rua, é lutar mesmo, porque não há vitória sem luta.”

A mestranda em gestão pública e avaliação, Rafilda Fernandes Souza, 48, saiu de Almenara, no Vale do Jequitinhonha, para ver o Lula em Juiz de Fora. “Nós marcamos encontros aqui, e como eu sabia que ia ter manifestação, vim para fazer as duas coisas.” A estudante conta que seu primeiro voto, aos 16 anos, foi para Lula. “Minha mãe era professora de história e me formou como pessoa progressista de esquerda, consciente. Eu sempre votei no Lula, mesmo quando ele estava perdendo, porque eu acredito no Brasil. Quando todas as pessoas seguirem juntas, crescendo juntas, melhorando juntas, é que teremos um país de primeiro mundo. E Lula é o caminho.”

Ao mesmo tempo em que demonsta entusiasmo, a eleitora afirma ter “receio sobre o outro lado”. “Eu acho que o país tem que ter equilíbrio de poder, e colocar o outro candidato no poder não vai ter esse equilíbrio, uma vez que ele já está com a Câmara de Deputados, com o Senado e com a probabilidade de indicação de quatro ministros. Esse poder absoluto é muito perigoso e, para preservar nossa democracia, nossa soberania frente aos outros países, principalmente os Estados Unidos, Lula é o caminho. É um cara de diálogo, que vai ter que negociar para fazer um bom pleito, e eu tenho certeza que ele vai conseguir.”

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Chegada de Lula é aguardada na Avenida Getúlio Vargas (Foto: Felipe Couri)

“Eleição imprevisível e muito acirrada”, avalia cientista político

Neste contexto de reta final de campanha, o cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Paulo Roberto Figueira, avalia que, ao término do primeiro turno, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) parecia ser favorita. “O movimento que aconteceu nas últimas semanas relativiza essa percepção e aumenta a imprevisibilidade do processo”, diz ele, sobre os atos a favor do petista, que ocuparam ruas de todo o país, com destaque para a capital paulista.

Paulo pondera que há elementos novos nesta campanha, em relação aos pleitos passados. “É a primeira vez em que há um número tão grande de estados sem disputa para o Governo estadual no segundo turno. Como isso vai impactar o comparecimento, por exemplo? E dependendo de onde impacte, vai ser numa região que teve maioria de voto para o Flávio ou para Lula? Então, há muitas variáveis novas que tornam essa eleição bastante imprevisível e muito acirrada, como sugerem as últimas pesquisas nacionais que foram produzidas.”

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Sobre os riscos envolvidos diante da possível vitória de cada um dos lados, o cientista político considera que, numa hipótese de vitória de Flávio, “está em risco o projeto da sociedade brasileira consolidado na Constituição de 1988”: “Em última instância, seja com proposições mais à direita ou à esquerda, esse projeto consolidado em 88 não esteve sob severa ameaça nem sobre o governo Bolsonaro (2018-2022), em que ele não tinha uma folgada maioria congressual, não tinha a maioria nas casas do Judiciário. Num eventual governo Flávio, talvez essas condições estejam dadas para, digamos, destruir este pacto que foi formulado em 88 e que está representado na Constituição brasileira. Esse é um risco para os democratas.”

Já se Lula sair vitorioso desta disputa, Paulo aponta que o Governo vai enfrentar numerosas dificuldades no Congresso, “onde a correlação de forças é pior do que a atual”: “Mas a agenda do Poder Executivo talvez ainda seja capaz de constituir laços com outros partidos, que tenderiam a cair gravitacionalmente no apoio ao governo Flávio. O governo Lula pode conquistar alguma parte do centrão de novo e pode, eventualmente, impedir que haja um controle do Poder Judiciário por parte da extrema direita brasileira.”

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