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Oficina gratuita discute desinformação, cuidados digitais e uso de IA nas eleições 2026

Oficina gratuita discute desinformação, cuidados digitais e uso de IA nas eleições 2026
(Foto: Felipe Couri)
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O que aparece na tela do celular pode ter relação direta com o que acontece fora dela. Em um ano de eleições gerais, a inteligência artificial (IA), os algoritmos das mídias sociais e a circulação de conteúdos falsos se tornam parte do debate sobre a formação da opinião política. Para pesquisadoras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), compreender como essas tecnologias funcionam é também uma forma de participar de maneira mais consciente da vida pública.

A discussão será tema de oficina ministrada por ”Lampejo – Escola Popular de Tecnopolítica, Comunicação e Cuidados Digitais”. A atividade ocorre no dia 26 de setembro, das 13h às 18h, de maneira presencial e gratuita no Mercado Municipal de Juiz de Fora, sendo realizada em parceria com o grupo de pesquisa Assimetrias, da UFJF. O encontro integra uma série de atividades promovidas pelo Lampejo em diferentes regiões do país. E, na cidade, as inscrições seguem abertas.

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Conforme explicado pela doutoranda em Comunicação Alícia Antonioli, integrante do Assimetrias, a internet deixou de ser apenas um espaço de interação e passou a ocupar uma posição importante na dinâmica política. Segundo a pesquisadora, as relações construídas nas plataformas digitais interferem nos espaços públicos, enquanto acontecimentos da realidade também repercutem nas redes.

“Aquilo que acontece no ambiente digital está diretamente conectado à realidade fora das telas”, aponta.

Alícia destaca que as plataformas se consolidaram como espaços de debate público, organização de movimentos sociais e exposição de demandas populares. Por isso, compreender que esses ambientes não são neutros seria, segundo ela, um primeiro passo para identificar e enfrentar relações desiguais de poder que acontecem no ambiente digital.

Conteúdo falso ganha novas ferramentas

Com a popularização da inteligência artificial generativa, a produção de conteúdos sintéticos se tornou mais acessível. Imagens, vídeos e áudios podem ser criados ou modificados para representar situações que nunca aconteceram ou fazer pessoas parecerem dizer ou fazer algo que não ocorreu.

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Para Alícia, um dos principais riscos durante as eleições é justamente a utilização da IA para ampliar a produção e a circulação de desinformação. Entre as possibilidades estão as chamadas deepfakes, a criação de perfis falsos e campanhas de difamação contra adversários políticos.

O uso de IA nas eleições pode gerar uma maior dificuldade de diferenciar informações falsas e verdadeiras, o que pode gerar uma maior polarização política”, afirma.

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A preocupação também está presente nas regras estabelecidas para o pleito que se aproxima. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que, quando houver uso de conteúdo sintético produzido ou significativamente alterado por IA em propaganda eleitoral, a utilização da tecnologia deve ser informada de maneira explícita, destacada e acessível. A regra vale para textos, áudios, vídeos e imagens.

O Tribunal ainda estabeleceu restrições à publicação, republicação e impulsionamento de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas anteriores ao pleito e nas 24 horas posteriores às eleições.

O que chega ao feed também importa

A influência sobre o debate político, no entanto, não depende apenas de conteúdos falsos. Os próprios sistemas de recomendação das plataformas interferem naquilo que cada usuário encontra nas redes.

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De acordo com Ana Lídia Resende, também doutoranda em Comunicação pela UFJF e membro do mesmo grupo de pesquisa, plataformas como Instagram, Facebook e X utilizam algoritmos para selecionar e recomendar conteúdos a partir de informações relacionadas ao comportamento dos usuários, como curtidas, comentários, compartilhamentos e histórico de navegação.

Ana Lídia argumenta que, durante uma eleição, esse funcionamento pode fazer com que uma pessoa seja exposta repetidamente a conteúdos relacionados a determinados candidatos ou pontos de vista.

Segundo a pesquisadora, o problema se agrava quando os conteúdos recomendados não são verificados. Publicações com caráter polêmico ou emocional podem gerar maior engajamento e, consequentemente, alcançar mais pessoas.

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A própria Meta – empresa que controla plataformas como o Facebook, o Instagram e o WhatsAppdefende que utiliza sistemas de inteligência artificial para selecionar e classificar conteúdos nas plataformas. A empresa também mantém mecanismos de identificação de conteúdos gerados ou modificados por IA e, no Brasil, informou que conteúdos criados por inteligência artificial estão sujeitos a rotulagem conforme suas políticas.

Para Ana Lídia, conhecer minimamente a lógica dessas ferramentas ajuda o usuário-cidadão a não aceitar automaticamente tudo aquilo que aparece no feed.

Verificar antes de compartilhar

Diante da quantidade de informações que circulam nas mídias sociais, uma das principais recomendações das pesquisadoras é evitar o compartilhamento imediato de conteúdos, principalmente quando envolvem temas políticos ou informações que parecem surpreendentes.

A orientação é procurar outras fontes e verificar a informação antes de repassá-la. Segundo Ana Lidia, também é possível observar sinais de manipulação em alguns conteúdos produzidos por IA, como imagens distorcidas ou marcas relacionadas à ferramenta utilizada.

A identificação, porém, não deve depender apenas da aparência do conteúdo. As próprias plataformas têm desenvolvido sistemas de rotulagem e detecção, mas a Meta reconhece que a identificação de conteúdos gerados por IA depende de sinais técnicos e de mecanismos de autorrevelação, especialmente no caso de vídeos e áudios. Por isso, a recomendação das pesquisadoras é combinar atenção ao conteúdo com a consulta a outras fontes.

Para Alícia, esse processo passa também pela educação popular. A proposta do Lampejo é justamente criar um espaço para que os participantes compreendam melhor a infraestrutura das plataformas, as relações de poder presentes nesses ambientes e as consequências dessas dinâmicas para a política.

A expectativa, segundo ela, é que os participantes terminem a atividade com uma visão “mais crítica e aterrada” sobre o ambiente digital e possam pensar coletivamente em outras possibilidades de participação no debate público.

Serviço

Lampejo – Escola Popular de Tecnopolítica, Comunicação e Cuidados Digitais

Quando: 26 de setembro de 2026, das 13h às 18h
Onde: Mercado Municipal de Juiz de Fora – Avenida Getúlio Vargas, 188, Centro
Entrada: gratuita
Inscrições: por formulário on-line
Certificado: haverá emissão

A oficina é realizada em parceria com o Grupo de Pesquisa Assimetrias, da UFJF.

*Estagiária sob a orientação do editor Arthur Raposo Gomes.

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