
O prefeito Bruno Siqueira (PMDB) irá renovar neste domingo, dia 1º, o desafio de comandar os destinos de Juiz de Fora pelos próximos quatro anos. Reeleito, o peemedebista inicia o segundo mandato com um cenário bastante distinto daquele observado em 2013, quando assumiu a cadeira pela primeira vez. Com a economia nacional patinando e a baixa popularidade dos governos federal e estadual, Bruno considera que o maior desafio da Prefeitura será de natureza financeira, para controlar os gastos de forma a manter em dia os compromissos com o funcionalismo público e com a prestação de serviços à sociedade. “O principal desafio neste primeiro momento, que pode até se modificar ao longo do mandato, é a questão financeira e a questão fiscal. São três anos consecutivos de uma recessão muito grave no país. 2017 vai ser o ano da travessia. Ainda vamos ter reflexos muito acentuados em relação aos problemas econômicos nacionais e temos que dar continuidade ao trabalho de extrema austeridade e de economia fiscal para que possamos superar a gravíssima crise”, afirmou o prefeito em entrevista exclusiva à Tribuna.
Apesar de não esconder que as dificuldades que batem às portas dos gestores públicos país afora é fator de preocupação, o prefeito reitera que irá redobrar os esforços políticos em busca de apoio e recursos em seu segundo mandato. “Realizamos um dos maiores volumes de obras da cidade usando recursos ou do Governo federal ou do Estado, viajando à Brasília e à Belo Horizonte quando a situação financeira era melhor. É este trabalho que vamos dar continuidade.” Contudo, o próprio Bruno admite que a ação pode ser esvaziada se a economia do país não reagir. Enquanto isso, o chefe do Executivo sinaliza que pretende manter os cintos apertados e aposta no controle de gastos. “Temos que fazer um trabalho permanente de gestão pública eficiente e transparente.”
Pagamento em dia
Segundo Bruno, tal modelo de administração foi utilizado durante o primeiro mandato, o que garantiu, por exemplo, manter o pagamento do funcionalismo público municipal em dia. O desempenho foi revalidado pelas urnas, o que, para o peemedebista, possibilitou a continuidade de grande parte do atual secretariado, que apresenta perfil mais técnico quando comparado com o primeiro escalão formado em 2012, de viés mais político. “Aliamos perfis técnicos com o componente político e construímos com maturidade uma equipe competente que vai dar continuidade ao trabalho que já vinha sendo realizado.”
Chancelado pelas urnas com mais de 150 mil votos no segundo turno das eleições de outubro, o prefeito se diz preparado para assumir um papel de liderança política local e regional. Recentemente, Bruno fez cobranças públicas a alguns deputados estaduais na busca por recursos pela cidade, posicionamento reiterado durante a entrevista. “Cobrei e vou continuar cobrando. Esta votação me credencia a fazer isso. Sou um representante da população. Preciso cobrar recursos estaduais e federais para a cidade, pois quando eles faltam, quem acaba sentido isso é o cidadão.”
Grandes obras dependem de recursos externos
A preocupação do prefeito pela atração de recursos externos se justifica. Várias obras importantes em andamento na cidade estão condicionada ao repasse de verbas estaduais e federais. “O Hospital Regional depende do Governo do Estado. Todos os recursos são estaduais. As obras estão paradas há seis meses e temos que sentar e conversar com o Governo estadual para definir o futuro da unidade”, exemplificou.
Bruno se comprometeu ainda trabalhar pela continuidade de outras obras. Com relação à despoluição do Rio Paraibuna, o chefe do executivo sinalizou que a próxima etapa da intervenção, deve ser entregue ainda este ano. “Estamos na fase de captação de esgoto que será levado para uma estação de tratamento que está sendo finalizada nas Granjas Bethel e será inaugurada ainda no primeiro semestre de 2017, aumentando de forma significativa o tratamento de esgoto cidade.”
O projeto das ciclorotas também deve ter sequência, e há previsão de instalação de novos paraciclos, além de articulações para a aquisição de financiamento externo para a possível construção de uma ciclovia na Avenida Brasil. Sobre as obras do Teatro Paschoal Carlos Magno, o prefeito sinalizou que a entrega do aparelho pode acontecer ainda em 2017.
Bruno também afirmou que os trabalhos no Ginásio Municipal devem ser retomados de forma mais efetiva já no início do novo mandato. “Já temos parte dos recursos provenientes do Ministério dos Esportes. Vamos trabalhar para tentar complementar esses recursos e entregar a obra na nova gestão. Sobre o Museu Mariano Procópio, o peemedebista afirmou que as intervenções terão continuidade. “Em 2017, vamos fazer obras e ações complementares para que possamos abrir novas áreas e realizar novas exposições.”
Com relação às obras de mobilidade urbana, Bruno mostrou confiança de que o viaduto que está sendo erguido no Bairro Poço Rico, próximo ao Tupynambás, possa ser finalizado ainda na atual gestão. Para tentar viabilizar outras intervenções, de forma a minimizar os prejuízos no trânsito causado pela linha férrea que corta a cidade, o prefeito garante esforços por parcerias com a iniciativa privada. “Também vamos acompanhar a situação econômica do país para uma possível parceria com o Governo federal.”
O peemedebista ainda sinalizou a ampliação de projetos sociais, como a adoção de espaço similares às praças CEU em outras comunidades, e, na área da segurança, a ampliação do programa de monitoramento da área urbana com câmeras de segurança por meio da utilização das imagens obtidos por equipamentos de trânsito.
