O programa do senador Antonio Anastasia, líder nas pesquisas eleitorais de intenções de voto, descreveu a trajetória do candidato no Executivo, como secretário de Estado ou ministro, e no Legislativo, para apresentá-lo como solução à crise financeira do Estado. A campanha trabalhará com o mote “Anastasia sempre foi Anastasia”. Ao passo que defendeu cortes orçamentários, o ex-governador criticou a administração atual. Para ele, “por conta do desgoverno da atual gestão, a situação de Minas é crítica. O dinheiro gasto de forma equivocada faz falta e não traz retorno para ninguém”.
Alçado ao posto de vice-governador do Estado pelo senador Aécio Neves (PSDB), em 2006, Anastasia buscou descolar-se do correligionário, candidato a deputado federal. Anastasia discursou também em defesa de uma gestão técnica, destacando sua trajetória. Caso eleito, o candidato disse que fará “um governo ouvindo todos os mineiros, sob a minha liderança, a minha responsabilidade, os meus princípios e a equipe que eu escolher”. O programa do senador investiu alguns segundos em mostrar obras não concluídas durante a Administração Pimentel.
Desgastada em razão da crise fiscal do Estado, a candidatura do governador Fernando Pimentel (PT) à reeleição aproveitou-se do capital político dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, cuja candidatura ao Senado simboliza o investimento do Partido dos Trabalhadores em Minas em busca de fortalecer suas bases no Congresso. Contextualizado na convenção estadual do PT, o programa de Pimentel defendeu sua candidatura “do lado do Lula, do lado da Dilma, do lado do povo” — aproveitando o mote que nomeia a coligação majoritária — para aproximá-lo, junto do eleitorado, ao “que foi o governo de Lula e Dilma”.
Dilma e Pimentel reforçaram, a exemplo de Anastasia, a estratégia de polarização da disputa ao Palácio da Liberdade com o PSDB. A ex-presidente realça Aécio e Anastasia como “dois principais protagonistas” do impeachment por ela sofrido em 2016. Conforme Dilma, Anastasia “destruiu o orçamento do Estado de Minas” e “entregou ao Pimentel um governo falido”, o que a leva, assim como Pimentel, a “lutar juntos (aos eleitores) contra eles”. Pimentel ironizou ainda o “choque de questão” de Anastasia, expressão normalmente utilizada pelo tucano em referência ao seu mandato à frente do Governo.
3ª via
O ex-deputado estadual João Batista Mares Guia apresentou-se como terceira via às candidaturas de Pimentel e Anastasia sob o slogan “nem Pimentécio, nem Anastécio”, em referência à proximidade de ambos com o ex-governador. Anastasia trabalhara no Executivo mineiro no primeiro mandato de Aécio e, no segundo, fora vice-governador. Já Pimentel uniu-se a Aécio, em 2008, para eleger Marcio Lacerda como prefeito de Belo Horizonte.
Candidato às pressas diante do imbróglio judicial do PSB, o presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes, acompanhado da vice Adriana Buzelim (PV), colocou-se, assim como Mares Guia, como alternativa. Terceira via, mas “sem guerra, sem ódio, (…) via de inclusão”. A candidatura de Adriana, mulher e cadeirante, reforça a direção eleitoral para a qual o MDB deseja caminhar. Além disso, apresentou-se ao eleitorado, uma vez que construiu mandato como deputado estadual em Belo Horizonte.
Os poucos segundos foram suficientes às candidatas Dirlene Marques (PSOL) e Sara Azevedo (PSOL), co-governadoras, para mostrarem-se ao eleitor. Alexandre Flach (PCO), Jordano Carvalho (PSTU) e Romeu Zema (Novo), entretanto, abriram mão da propaganda gratuita no primeiro dia. O Avante, de Claudiney Dulim, apostou os segundos em divulgar a legenda — antigo PTdoB —, sem personalizações.
Propaganda no rádio
A trajetória política dos candidatos foi o principal foco no primeiro programa eleitoral no rádio. Ouvido às 7h e ao meio-dia, postulantes destacaram feitos na política ou fora dela. Alguns, como Dilma Rousseff, aproveitaram o espaço para popularizar o jingle de campanha. No entanto, ataques também estiveram presentes, dando indícios do que serão os próximos programas. Antônio Anastasia (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) seguiram a mesma linha adotada nas entrevistas, com críticas à gestão de cada candidato. Enquanto Pimentel destacou o legado recebido dos governos tucanos, Anastasia frisou a dificuldade econômica do Estado e deficiências da gestão atual. Na corrida para o legislativo, o tempo pequeno para cada candidato fez com que a maioria repetisse o receituário das campanhas antigas: nome e número.
Senado
À procura de se restabelecer no cenário político, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) lançou-se ao Senado por Minas em manobra partidária após transferência de domicílio eleitoral. Dilma endossa o impedimento para potencializar a candidatura. “Se o golpe de 64 me tirou daqui, o de 2016 me trouxe aqui para lutar.” Candidato ao lado de Dilma na chapa Do lado do povo, o deputado federal Miguel Corrêa (PT), seguindo a nacionalização das candidaturas petistas, apresentou-se como “senador do Lula em Minas”. Corrêa atentou-se para o desemprego. Como esteve à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, defendeu melhor qualidade de vida aos mineiros por meio de geração de empregos.
Uma das cabeças ao Congresso pela coligação Reconstruir Minas é o deputado estadual Rodrigo Pacheco (DEM), cujo programa o coloca como participante de um cenário rigorosamente anti-corrupto, em que “os corruptos condenados estão proibidos de participar, as empresas estão proibidas de financiar as campanhas e o uso imoral do caixa dois vai virar crime”. Utilizando a crise do Estado de Minas Gerais, Pacheco ainda defendeu o seu lema “não perder nenhuma empresa, nenhum investimento, nenhum empreendimento para outro estado da Federação” em busca da geração de empregos. Ao lado de Pacheco na coligação, o ex-deputado estadual Dinis Pinheiro (SD), a partir das insatisfações das prefeituras mineiras com o Governo Pimentel, discursa a favor do fortalecimento dos municípios pela revisão “da distribuição dos recursos públicos”, criticando, então, o alto volume de recursos retidos em Brasília. Dinis realçou ainda o projeto ICMS Solidário, criado por ele quando membro da Assembleia Legislativa.
Anunciado como candidato ao Senado da coligação Minas Tem Jeito na quinta-feira (30), o deputado estadual Fábio Cherem (PDT) discursou para os eleitores desesperançosos e insatisfeitos diante do desgaste do cenário político nos últimos anos. “Coloque toda a sua indignação no seu voto nas urnas em 7 de outubro”, falou. Cherem é candidato único da chapa encabeçada pelo MDB. Os professores Duda Salabert (PSOL) e Túlio Lopes (PCB), candidaturas apontadas pela coligação Frente Minas Socialista, atrelaram suas figuras à representatividade no Senado. Salabert, por exemplo, se atrelou à “bancada pela educação e meio ambiente”. Já o jornalista Carlos Viana (PHS), segundo colocado nas pesquisas de intenções de voto, apareceu ao lado do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS).
Presidenciáveis
A partir deste sábado (1°), os programas eleitorais gratuitos dos candidatos à presidência entrarão no ar durante pelas manhãs, tardes e noites. Às terças, quintas e sábados, presidentes e deputados federais ocuparão o horário eleitoral nas emissoras de rádio e de TV. No início da manhã, entre 7h e 7h12m30s, e na hora do almoço, das 12h às 12h12m30s, os candidatos que pleiteiam o Palácio do Planalto estarão no rádio; já no início da tarde, entre 13h e 13h12m30s, e à noite, de 20h30 a 20h42m30s, estarão na TV.
O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), com dois blocos diários de cinco minutos e 32 segundos, além de 434 inserções, tem o maior tempo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com dois minutos e 23 minutos em dois blocos diários, mais 188 inserções, além de uma inserção extra, definida por sorteio, de 30 segundos. O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (MDB), aparece com o terceiro maior tempo, com dois blocos diários de um minuto e 55 segundos, e 151 inserções.
Os demais candidatos terão menos de um minuto por bloco diário. João Amoêdo (Novo), João Goulart Filho (PPS) e Vera Lúcia (PSTU) têm o menor tempo. Cada um dispõe de apenas cinco segundos nos dois blocos diários, mais sete inserções. Amoêdo, entretanto, conta com uma inserção extra de 30 segundos.

