
Amigos e parentes prestam as últimas homenagens
Morreu na quinta-feira (30), aos 94 anos, o fundador e presidente de honra União Juiz-forana de Associações Comunitárias de Bairros e Distritos (Unijuf), Roxael Cândido da Cunha. O enterro aconteceu na manhã desta sexta-feira (31), no Cemitério Parque da Saudade, e reuniu importantes representantes da política juiz-forana. Roxael morreu de falência de múltiplos órgãos, depois de permanecer internado por três semanas na Santa Casa de Misericórdia. Ele deixa mulher, cinco filhos, 14 netos e quatro bisnetos.
Apesar do forte vínculo com o PMDB, partido do qual fez parte da fundação, representantes de diversas correntes políticas estiveram no velório e prestaram suas últimas homenagens. O prefeito Custódio Mattos esteve com os familiares ainda na noite de ontem, hoje pela manhã, decretou luto oficial de três dias no município. Amigo pessoal e correligionário, Tarcísio Delgado acompanhou o cortejo fúnebre e comentou a perda de um grande companheiro. "Roxael foi uma das pessoas mais dignas com a qual eu tive a oportunidade de conviver em toda a minha vida. A cidade perde um homem digno, de origem humilde e que sempre foi um exemplo de como deveria se portar verdadeiramente um cidadão." Em seu blog, o ex-prefeito foi além, "homens assim não morrem nunca. O corpo vai, a alma fica".
Trajetória
Roxael sempre foi um homem à frente do seu tempo e dedicou boa parte de sua vida desenvolvendo políticas públicas de apoio comunitário. Nascido em Paraíba do Sul, Rio de Janeiro, em 22 de setembro de 1917, Roxael Cândido da Cunha mudou-se para Juiz de Fora em 1942, depois de casar-se com Marta da Conceição Cunha (Dona Marta), com quem teve seis filhos. Desde o final dos anos 1940, morava no Bairro Grajaú, onde ajudou a fundar a Sociedade Pró-Melhoramento do Bairro Grajaú e Vitorino Braga, sendo presidente da entidade por diversas vezes.
Em 31 de março de 1957, ajudou a fundar a UNIJUF. Sua dedicação absoluta à entidade acabou colocando-o em situações difíceis. No site oficial da Unijuf há uma passagem em que ele se recorda de quando foi convocado a prestar depoimentos, durante o período da ditadura militar. "Fui convocado para depor em um quartel do exército, pois suspeitavam que o movimento comunitário do qual participava era de inspiração comunista. Pedi para que minha família fosse avisada. Na ocasião, o padre Wilson Vale da Costa, capelão do exército, defendeu-me, informando que não tínhamos nada a ver com o assunto. Assim, fui dispensado de novas perseguições."
Além da fundação da Unijuf e do PMDB/JF, Roxael contribuiu na criação da Federação das Associações dos Moradores do Estado de Minas Gerais (Famemg), em 18 de maio de 1988, e da Confederação Nacional de Associações de Moradores (Conam), em 17 de janeiro de 1982.
Em um dos seus últimos momentos de lucidez, já debilitado e cansado, Roxael ainda se preocupava com a Unijuf e com as mais de 160 comunidades que a compõem. Um familiar conta que ele mandou que chamassem toda diretoria da entidade e, na ocasião, pegou o livro com o registro da ata inaugural e o entregou ao amigo de longa data José Emanuel. Em um gesto de desprendimento e continuidade, retornou um importante documento histórico da cidade para o local de sua confecção.

