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Legendas disputam puxadores de votos

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Na cartilha dos candidatos mais experimentados e nas teses dos analistas políticos, a disputa para vereador começa a ser definida um ano antes das eleições, quando são formadas as chapas proporcionais. A movimentação respeita o calendário eleitoral que determina a permanência mínima de um ano do futuro candidato na legenda pela qual vai para as urnas. Como as eleições de 2012 serão realizadas no dia 7 de outubro, os concorrentes terão até a primeira semana de outubro deste ano para se abrigarem em algum partido. As articulações ganharam força nas últimas semanas, com as primeiras sondagens para arregimentar os chamados "puxadores de votos". Como a legislação eleitoral prevê sanções no caso de infidelidade partidária apenas para os detentores de mandatos, só os atuais vereadores têm siglas definidas para o pleito do próximo ano. Cobiçados, suplentes e ex-vereadores perambulam por várias letras, sem nenhum apego ideológico, com foco apenas na conjuntura mais favorável (ver quadro na galeria de imagens).

O esboço das chapas construído nesses primeiros dias de articulação colocam, mais uma vez, o PMDB e o PT como concorrentes ao maior número de cadeiras na Câmara. Depois de emplacaram três vereadores – Bruno Siqueira, Júlio Gasparette e José Sóter de Figueirôa – em 2008, os peemedebistas trabalham para manter a escrita e, persistindo a tese de candidatura própria a prefeito, conseguir emplacar até um quarto nome no Barbosa Lima. Para isso, os dirigentes da legenda trabalham para suprir os 6.400 votos recebidos por Bruno, agora deputado, na última eleição. A primeira investida foi sobre o ex-vereador Oliveira Tresse, que concorreu em 2008 pelo PCdoB. Outro que pretende migrar para sigla é Leonardo Bello, atual primeiro suplente do PSDB na Câmara. Por outro lado, Pastor Marquinhos, que conseguiu 2.060 votos, deve deixar o partido.

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O PT vai manter a mesma estratégia que elegeu Flávio Cheker, Wanderson Castelar e Roberto Cupolillo (Betão). Aos três soma-se o ex-vereador e ex-deputado Gabriel dos Santos Rocha (Biel) como puxadores de votos. O "corpo da chapa" será formado por lideranças sindicais e movimentos sociais organizados. A aposta de diferencial, mais uma vez, será a candidatura majoritária possivelmente da ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Margarida Salomão. Em 2008, ela foi responsável pelo maior número de votos de legenda na história de Juiz de Fora. Com esses votos e com aqueles da coligação com o PCdoB, foi possível emplacar as três cadeiras. O problema é que, para 2012, o PCdoB ensaia voo solo na disputa pela Câmara Municipal. O fim da dobradinha entre comunistas e petistas, no entanto, vai depender de como vai ficar a chapa proporcional de cada um.

Com prestígio nas articulações, mais até do que os tradicionais PSDB e DEM, o minúsculo PTC vem enchendo os olhos de candidatos e dirigentes das mais variadas legendas. Depois de emplacar desapercebidamente dois vereadores – Luiz Carlos e José Tarcísio – nas últimas eleições, a sigla, não mais desconhecida, quer dobrar sua representatividade. Para isso, abriu espaço para nada menos que três ex-vereadores: Aparecido de Jesus (Cidão dos Esportes), Eduardo Novy e Luiz Coelho (Pardal). Ainda assim, a tarefa não será das mais fáceis, já que o PTC não terá candidato a prefeito e nem voto de legenda. Outra sigla pequena que iniciou a articulação da sua chapa proporcional pensando em surpreender foi o PV. Pelas mãos do ex-subsecretário de Relações Institucionais da Prefeitura, Edson Fonseca, os verdes queriam alcançar, ao menos, duas cadeiras na Câmara. O problema é que, com a saída de Edson do Governo, há risco de a chapa esvaziar-se.

Entre os partidos maiores e com mais representatividade no cenário nacional, PSDB e DEM encontram-se em situação mais delicada nesse início de sondagens. Os tucanos, que não terão mais o futuro deputado Rodrigo Mattos como candidato, perderam também Leonardo Bello. As baixas são maiores, no entanto, no DEM. Mesmo com o retorno de Romilton Faria à Câmara, o que deve acontecer no início de agosto com a ida de Rodrigo para a Assembleia, o partido perdeu candidatos de peso como os ex-vereadores Vanderlei Tomaz, Cidão dos Esportes e Barbosa Júnior. Outro que perdeu um trinca de peso foi o PSC, dos vereadores Noraldino Júnior e José Emanuel. A legenda vai para as urnas em 2008 sem o ex-vereadores Eduardo Novy e Rose França e de André Mariano, que é filho do ex-vereador Pastor Mariano Júnior. Quem também desidratou para a próxima disputa foi o PTB. O partido do ex-prefeito Alberto Bejani (sem partido) e do ex-presidente da Câmara, Vicente de Paula Oliveira (Vicentão), tem hoje apenas o ex-vereador Rogério Ghedin como puxador de votos.

 

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Câmara com 19 favorece grandes

Além da formação das chapas, a definição do número de cadeiras dos legislativos municipais também tem impacto no número de eleitos. O cálculo do quociente eleitoral prevê a divisão dos votos válidos obtidos por candidatos e partidos pelo número de cadeiras na disputa. O resultado dessa divisão é o chamado "quociente eleitoral" propriamente dito, que é o patamar mínimo de votos para eleger um candidato. Com mais eleitores e menos vagas para concorrer, o quantitativo de votos para qualquer partido ou coligação eleger um vereador tende a aumentar.

Pensando nisso, PMDB e PT, em uma ação conjunta, vetaram a tentativa da Câmara de Juiz de Fora de elevar a composição da Casa de 19 para 21 cadeiras. A manobra vai fazer com que cada partido ou coligação tenha que emplacar algo próximo a 17 mil votos para conquistar uma vaga de vereador em 2012. Com isso, siglas menores ou mesmo as tradicionais desorganizadas têm chances reduzidas de conseguir alcançar o quociente eleitoral. Por outro lado, siglas com boas chapas, como se apresentam por ora PT, PMDB e PTC, podem formar bancadas maiores.

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Outra aposta da maioria dos partidos é a manutenção das coligações proporcionais. Mesmo apontada como a mudança mais certa em qualquer reforma política, a medida, que permite dois ou mais partidos se unirem para alcançarem juntos o quociente eleitoral, deve permanecer para a próxima eleição. É isso que permite noites de sonos tranquilas para os vereadores Carlos Bonifácio (PRB), José Laerte (PSDB) e Chico Evangelista (PP), além de Romilton Faria (DEM). Com chapas bem modestas, eles sabem que dificilmente escaparão da necessidade de coligação.

Outra saída para conter a desidratação das chapas é a candidatura majoritária, que sempre rende alguns votos de legenda. O vereador Isauro Calais (PMN), por exemplo, quer fortalecer seu partido lançando seu nome à Prefeitura. Em sentido contrário, o PDT, que é comandado pelo secretário de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde, quer devolver o vice-prefeito Eduardo Freitas (PDT) para o páreo proporcional. Com isso, o próprio Valverde torna-se opção de segundo nome da chapa de reeleição do prefeito Custódio Mattos (PSDB).

Por fim, não se pode descartar o apelo às celebridades para emplacar um bom puxador de votos. Em Juiz de Fora, a mais cortejada até o momento é a Maria, do Calçadão da Rua Halfeld, que recebeu propostas de filiação de dois partidos, ambos com vereadores eleitos.

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