Em meio à antecipada movimentação para as eleições de 2014, os partidos com chances de lançar candidatura à Presidência da República e ao Governo de Minas se veem às voltas com a formação de chapas para as direções partidárias municipal e estadual. À exceção do PMDB – que resolveu a situação interna ainda no ano passado, quando o deputado federal Antônio Andrade, hoje ministro da Agricultura, foi mantido à frente do diretório mineiro até sua atual substituição, e Paulo Gutierrez assumiu o comando juiz-forano -, PT, PSDB e PSB definem, neste ano, os nomes dos dirigentes responsáveis pelos destinos das três legendas durante o período eleitoral. Mesmo em relação à Rede Sustentabilidade, da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, há mobilização quanto a viabilidade do partido e, claro, em relação às futuras direções em Juiz de Fora e em Minas Gerais. Assim como na sucessão peemedebista, a expectativa também é de que, em todos os demais casos, a disputa dê lugar ao consenso.
A unidade, nesses ocasiões, é vista como sinônimo de fortalecimento para o embate do próximo ano, quando o prestígio de cada sigla estará à prova. Por isso, está praticamente descartado o registro de mais de uma chapa nas disputas internas do PSDB e do PSB. Em relação aos diretórios das duas legendas em Juiz de Fora, a fatura está praticamente fechada. O ex-superintendente do Procon Eduardo Schröder assumiu o comando tucano local na semana passada, com o advogado José Ferreira como vice. A formação tem aval do deputado federal Marcus Pestana, atual presidente do PSDB de Minas, do secretário de Desenvolvimento da Prefeitura de Belo Horizonte, Custódio Mattos, e do deputado estadual Lafayette Andrada. Os três caciques aparecem como possíveis candidatos à Câmara dos Deputados.
Definição em Minas
Pestana também aparece na lista de nomes para sucessão ao Governo de Minas, que ainda tem o presidente da Assembleia, Diniz Pinheiro (PSDB), o vice-governador, Alberto Pinto Coelho (PP) e, incluído mais recentemente, o prefeito de Barbacena e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Antônio Carlos Andrada (PSDB). Mesmo com condição de pré-candidato, o juiz-forano deve permanecer à frente dos tucanos mineiros por mais um biênio. De uma forma geral, são esperadas poucas mudanças no atual comando do PSDB de Minas. Contra qualquer movimento de dispersão pesa a tão sonhada candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República, que tem status de prioridade absoluta para o partido no estado. Abrir espaço para vozes dissonantes nos domínios do senador, que enfrenta dura resistência entre os paulistas, é o estrago a ser evitado. O discurso oficial do tucanato mineiro, conforme defende o próprio Pestana, deve ser de unidade.
No caso do PSB, a estratégia é demarcar território para criar palanques no estado para o governador de Pernambuco Eduardo Campos, caso ele entre mesmo na disputa pelo Palácio do Planalto em 2014. Considerando o fato de Aécio ter sido governador de Minas por duas vezes e de a presidente Dilma Rousseff (PT) reclamar para si a condição de mineira, por ter nascido no estado, a empreitada dos socialistas não será das mais fáceis. Esse abacaxi deverá ser descascado pelo deputado federal Júlio Delgado, que é cotado para assumir a direção estadual do PSB até o final de abril, quando acaba a validade da comissão provisória socialista mineira. Ele é o nome escolhido pelo próprio Eduardo, com aval do prefeito da capital mineira, Márcio Lacerda, para suceder o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, desgastado pelo fracasso na tentativa de reedição da dobradinha do PSB com o PT na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Com sua ida para o diretório estadual praticamente certa, Júlio Delgado deixou a direção do PSB de Juiz de Fora a cargo do advogado Luiz Fernando Sirimarco Júnior, que terá como vice o vereador Jucelio Maria.
Trégua
Último a promover mudanças em suas direções, o PT, que tem seu processo de eleição direta (PED) marcado para novembro, deve dar uma trégua à tradição dos calorosos embates internos. No caso do diretório de Juiz de Fora, as articulações iniciais apontam para a manutenção da unidade que levou a deputada federal Margarida Salomão (PT) ao segundo turno das duas últimas disputas municipais. Ainda assim, certa, por hora, apenas a saída de Rogério Freitas da direção do partido, por não poder mais se reeleger. No estado, crescem os apelos para o ex-ministro Patrus Ananias assumir a condução da legenda, o que selaria a paz entre os petistas mineiros, que têm o ministro o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, como pré-candidato único ao Governo de Minas e a presidente Dilma Rousseff como candidata à reeleição.
