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Governo eleito terá que driblar falta de dinheiro

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As urnas irão definir o escolhido para gerir os rumos da cidade hoje, quando 395.625 eleitores poderão manifestar sua escolha na disputa pela Prefeitura. Após quatro anos, o prefeito Bruno Siqueira (PMDB), que tenta a reeleição, e a deputada federal Margarida Salomão (PT) reeditam o duelo em um cenário econômico turbulento. Assim, o futuro chefe do Executivo terá que apresentar jogo de cintura para driblar um horizonte de dificuldades financeiras que se descortina em todas as esferas de poder e buscar soluções inovadoras e de gestão, para suprir os anseios da população, especialmente em áreas de saúde, educação, segurança pública e mobilidade urbana.

O candidato vitorioso terá que trabalhar com uma previsão orçamentária menor do que o atual prefeito dispôs para este ano, quando as receitas e despesas foram estimadas em R$ 1.914.347.053. Para o ano que vem, um projeto de lei que tramita na Câmara define o orçamento municipal em R$ 1.995.382.000. Apesar de o crescimento nominal de 4%, o valor disponível se mostra inferior ao atual quando se leva em consideração os prognósticos que indicam perdas inflacionárias de 7,04% para o atual exercício financeiro. Neste cenário, a retração é de 2,62%, o que significará quase R$ 54 milhões a menos nos cofres municipais de um ano para o outro.

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Se o cenário é de queda nas receitas internas, a capacidade de articulação política do futuro prefeito se faz fundamental na busca por recursos externos. Contudo, o eleito encontrará também um horizonte mais tortuoso nessa tarefa. O Governo de Minas Gerais também passa por grandes dificuldades fiscais. Há pouco mais de um mês, o secretário estadual de Fazenda, José Afonso Bicalho, admitiu a possibilidade de o Estado decretar estado de calamidade financeira, como fez o Rio de Janeiro em junho.

O abacaxi a ser descascado parece maior, uma vez que o Governo federal também trabalha para equilibrar as contas. Uma das medidas escolhidas pela gestão Temer é a emenda constitucional que pretende limitar o teto de gastos da União – a PEC 241, já validada na Câmara e agora em tramitação no Senado com o nome de PEC 55. A proposição é vista por alguns municipalistas como obstáculo para a captação de recursos federais, o que pode ser prejudicial a setores como saúde, assistência social e educação, impactando na execução e ofertas de serviços.

Embate remete a cenário nacional

Parceria vitoriosa nas eleições municipais de 2010 e 2014, com as vitórias da chapa formada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e o atual presidente Michel Temer (PMDB) – nas duas ocasiões eleito vice-presidente -, a relação entre PT e PMDB esfacelou-se nos últimos anos. O ápice do rompimento foi o apoio do PMDB ao impeachment de Dilma. Agora latente, tal antagonismo partidário dos antigos aliados teve reflexos contundentes na atual contenda eleitoral de Juiz de Fora. Apesar de manterem uma boa convivência institucional nos últimos anos – quando a deputada federal Margarida Salomão (PT), em várias ocasiões, ajudou o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) na busca por recursos federais -, os dois concorrentes subiram o tom e fizeram críticas mútuas ao longo da campanha de segundo turno.

A nacionalização do discurso pode ser identificada nas duas candidaturas. Em peças eleitorais, a campanha de Margarida chegou a citar que o atual prefeito que tenta a reeleição pertenceu ao partido de nomes como o de ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), deputado federal cassado pelo plenário do Congresso e investigado pela Lava Jato. Bruno, por sua vez, não se furtou a atacar o Partido dos Trabalhadores nos últimos dias. Os alvos mais frequentes foram os governos da ex-presidente Dilma e do governador Fernando Pimentel (PT). Para o peemedebista, as gestões petistas têm responsabilidade pelo conturbado momento fiscal pelo qual atravessa o país e o Estado – independentemente de o fato de seu partido, o PMDB, ter integrado as administrações citadas.

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Por outro lado, como era de se esperar, Margarida respondeu às ofensivas do adversário e defendeu seu partido, atacando o modelo de gestão do candidato à reeleição. Apesar de reconhecer as ações realizadas no atual governo, tão exploradas pela campanha peemedebista, a deputada pontuou em sua campanha de que boa parte das intervenções da Prefeitura nos últimos anos só foram possíveis graças à liberação de recursos contratados juntos a programas instituídos durante os governos petistas.

Modelo de gestão

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Além de as críticas partidárias de parte a parte, os debates se pautaram, em muitos momentos, acerca dos modelos de gestão propostos pelas duas candidaturas. Uma vez mais, Bruno e Margarida tentaram delimitar seu território e defender seus posicionamentos com ataques, minimizando o caráter mais propositivo das discussões. Na reta final, o prefeito reiterou seu entendimento de que as gestões petistas gastam mais do que arrecadam e defendeu austeridade para um melhor aproveitamento dos recursos públicos. Por outro lado, ouviu de Margarida que o perfil “obrista” de sua administração não condizia mais com o cenário de retração financeira, em que, segundo a deputada, é preciso criatividade e inclusão da população nas decisões do Município.

Atual pleito tem viés de ineditismo

Independentemente de quem sair vencedor da apuração a ser realizada tão logo as urnas sejam fechadas, às 17h, o atual processo eleitoral reservará seu lugar ao sol na história eleitoral da cidade. No primeiro pleito sem a participação de pelo menos um dos nomes que se revezaram por 30 nos no comando da cidade – Tarcísio Delgado (PSB, três mandatos), Custódio Mattos (PSDB, dois mandatos) e Alberto Bejani (PSL, dois mandatos) -, entre 1983 e 2012, a cidade terá um resultado inédito. Caso Bruno Siqueira (PMDB) seja o escolhido, a cidade conhecerá seu primeiro prefeito reeleito no século XXI – o último a garantir um segundo mandato consecutivo foi Tarcísio, nas eleições de 2000. Caso a deputada Margarida Salomão (PT) obtenha a maioria entre os eleitores, a Prefeitura será comandada pela primeira vez por uma mulher.

Para ser a primeira prefeita da cidade, no entanto, Margarida terá que reverter um cenário desfavorável observado na apuração do primeiro turno. No último dia 30, Bruno afiançou sua sequência na disputa com 103.872, mais de 44 mil eleitores a mais que a petista, que registrou 59.506 votos. Publicada na última sexta-feira, a pesquisa Ibope/TV Integração apontou vantagem para o peemedebista, que obteve 49% da preferência do entrevistados contra 33% da petista; enquanto 14% declararam votos brancos e nulos e 4% se disseram indecisos. Com relação à amostragem feita pelo instituto no último dia 13, contudo, a deputada se recuperou, e a diferença entre os dois caiu de 29 para 16 pontos percentuais.

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