
À tarde, manifestantes fazem ato no Centro da cidade
Manifestantes ligados a centrais sindicais realizaram nesta sexta-feira (30), por mais de dez horas, uma série de protestos pedindo melhorias nas condições de trabalho de diversas categorias, mais qualidade nos serviços públicos e contra as terceirizações. Eles chegaram a obstruir o trânsito na BR-040 por cerca de três horas, no quilômetro 800, próximo ao antigo aterro sanitário, entre Juiz de de Fora e Matias Barbosa, obstruindo a via nos dois sentidos. À tarde, o grupo saiu em passeata pelo Centro de Juiz de Fora, interrompendo o trânsito entre a Avenida Rio Branco e a Rua Halfeld e entre a Halfeld e a Avenida Getúlio Vargas. O "Dia nacional de lutas" foi liderado pela CUT e pela Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), contando com representantes dos diversos sindicatos vinculados às mesmas. A Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), entidade estudantil, também integrou o movimento. Segundo a PM, cerca de 50 policiais acompanharam a movimentação.
Pela manhã, por volta das 10h30, parte dos trabalhadores que estavam na BR-040 se deslocou para a Rua Bernardo Mascarenhas, no Bairro Fábrica, em apoio a ato público dos funcionários do ramo de telecomunicações. O ato, em frente à empresa AlmaViva, reuniu cerca de 200 manifestantes, que fecharam o trânsito no local até 13h. No início da tarde, uma comissão formada por funcionários e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel) seguiu para o Ministério Público do Trabalho. Eles entregaram ao órgão um documento com várias denúncias de uma série de irregularidades que estariam sendo cometidas pela empresa contra os direitos do trabalhador. De lá, eles seguiram para o Parque Halfeld, onde as outras categorias voltaram a se reunir. Há quatro meses, durante audiência pública para discutir as mesmas denúncias, representantes da empresa manifestaram intenção de diálogo para discutir os problemas com os funcionários.
Por volta de 15h30, representantes de professores municipais, estaduais, dos trabalhadores têxteis, dos bancários e estudantes se sentaram na escadaria do Palácio Barbosa Lima e penduraram cartazes com suas reivindicações nas grades do prédio. Entre elas, o passe livre, a licitação do transporte público municipal, a aplicação da lei do piso e o veto ao projeto de lei (PL) 4.330, que permite as terceirizações para atividades fins. Às 17h, os manifestantes saíram do Parque Halfeld em direção à Avenida Getúlio Vargas. A PM estimou que cerca de cem pessoas acompanharam a passeata, já a CUT afirmou que 500 pessoas participaram do protesto. O grupo chegou a fechar as três pistas da Avenida Rio Branco por cerca de dez minutos. Houve princípio de tumulto, já que alguns motoristas tentaram furar o cerco. Eles desceram o Calçadão da Halfeld, e, por volta de 17h40, fecharam rapidamente a Getúlio Vargas. O protesto seguiu até a Praça Antônio Carlos, onde houve dispersão às 18h. "Sem dúvidas, esta união de categorias e causas deu força ao movimento e conseguiu chamar a atenção para nossa pauta", avaliou o diretor regional da CUT, Oleg Abramov. "Esta manifestação faz parte de todo um contexto nacional, que envolve diversas regiões do país. Conseguimos passar o recado da luta do trabalhador", avaliou Eleandro Ferreira, coordenador da CSP-Conlutas.
De acordo com o coordenador geral do Sindicato dos Professores (Sinpro), Flávio Bitarello, cerca de 75% dos docentes municipais aderiram ao movimento. Já o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação( Sind-UTE) acredita que 60% dos professores da rede estadual paralisaram as atividades. O diretor regional do Sindicato dos Bancários, Watoira Oliveira, estima que 20 agências centrais fecharam nesta sexta. Embora os têxteis não tenham parado, eles acompanharam o grupo e planejam protesto na próxima semana. Para o Sinttel, 400 trabalhadores de telemarketing não trabalharam. Aparecida de Oliveira Pinto, coordenadora do Sinpro e membro da CUT, destaca a unidade conquistada pelos trabalhadores. "Conseguimos unificar as causas de diferentes classes, representadas por diferentes centrais sindicais." Oleg diz que o grupo se mantém em estado de alerta. "Nossa ideia é nos reunirmos no dia 3, quando está marcada a votação do PL 4330, e podermos ir à Brasília"
"A partir de agora, o tom vai subir"
Os primeiros manifestantes chegaram à BR-040 por volta das 8h30. Após fretarem ônibus e van, que partiram do Centro, eles desembarcaram num posto de gasolina e seguiram para a rodovia, dando início à ocupação. Empunhando bandeiras de entidades representativas de diversas categorias e grupos sociais, como professores, bancários, trabalhadores rurais, feministas e homossexuais, os trabalhadores interromperam o fluxo e prometeram manter a ocupação até o meio-dia. "A ocupação da BR é um ato simbólico, que mostra como os trabalhadores vão parar o Brasil. A partir de agora, o tom da classe trabalhadora vai subir", afirmou o diretor regional da CUT, Oleg Abramov. Os manifestantes incendiaram pneus sobre o asfalto e entoaram gritos de ordem. "Estamos na luta contra os abusos contra o trabalhador cometidos pelos governos Anastasia (PSDB) e Dilma (PT)", gritou Victoria Mello, membro da CSP-Conlutas.
Em poucos minutos, formou-se o engarrafamento que atingiria, até o fim da manhã, três quilômetros em ambos os sentidos. A interrupção do fluxo prejudicou, principalmente, os caminhoneiros, embora diversos motoristas reivindicassem o direito de romper a barreira. Por vezes, houve discussão entre militantes e pessoas que queriam utilizar a rodovia. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi deslocada para a região, e o inspetor Wallace Wischansky iniciou negociação para que o grupo desocupasse o espaço. "A rodovia não é lugar de manifestação. Se as pessoas que utilizam a BR se revoltarem e vierem até aqui, a Polícia Rodoviária Federal não terá como garantir a segurança de tanta gente."
Para que não fosse iniciado qualquer procedimento de desobstrução forçada, por volta das 10h, o grupo estabeleceu acordo com a PRF e passou a permitir que carros e veículos de urgência rompessem o bloqueio, passando pelo acostamento. A medida foi adotada nos dois fluxos. Meia-hora mais tarde, a autorização se estendeu para caminhões, e o trânsito passou a fluir de forma alternada: durante vinte minutos, seguiam pelo acostamento os veículos que trafegavam no sentido Matias Barbosa, nos vinte minutos seguintes, passavam os que viajavam no sentido Juiz de Fora. A ocupação foi mantida até as 11h50.
Ao fim do ato, as centrais sindicais se reuniram e realizaram, às margens da estrada, reunião para fazer um balanço da manhã. "Esta manifestação faz parte de todo um contexto nacional, que envolve diversas regiões do país. Conseguimos passar o recado da luta do trabalhador", concluiu, ao fim do ato, Eleandro Ferreira, coordenador da CSP-Conlutas. Para Aparecida de Oliveira Pinto, coordenadora do Sindicato dos Professores e membro da CUT, o destaque é para a unidade conquistada pelos trabalhadores. "Conseguimos unificar as causas de diferentes classes, representadas por diferentes centrais sindicais."

