
Manifestantes protestam contra retirada do termo ‘gênero’ do Plano para Mulheres (MARCELO RIBEIRO/29-06-15)
Integrantes de coletivos dos segmentos feminista e LGBTT protestaram ontem, na Câmara, contra a retirada do termo gênero do Plano Municipal de Política para as Mulheres. A exclusão da palavra foi pedida por vereadores ligados a grupos religiosos ao Conselho da Mulher em reunião pela manhã. O órgão também recebeu uma carta do arcebispo de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira, que contém críticas à “ideologia de gênero”. Fazendo coro aos manifestantes, a presidente do conselho, Cristina Castro, afirmou que “retirar a palavra gênero significa não tratar a causa principal que gera a violência contra a mulher.”
Após gritos de ordem contra a postura considerada conservadora de alguns parlamentares, a reunião chegou a ser interrompida por dez minutos pelo presidente da Casa, Rodrigo Mattos (PSDB), sob pedidos dos manifestantes para que fosse encerrada. A Polícia Militar foi acionada, mas não houve confronto. Na saída do plenário, os vereadores deixaram a sala escoltado pelos militares. Sob os gritos de “machista”, acompanhados por vaias, André Mariano (PMDB) e Nilton Militão (PTC) chegaram a ficar durante alguns segundos frente a frente com os manifestantes.
A reunião começou com a leitura de uma carta pelo vereador Jucelio Maria (PSB), assinada por membros da Igreja Anglicana de Juiz de Fora. No texto, defenderam o conteúdo do projeto original do Plano das Mulheres, questionando o uso do termo “ideologia de gênero”, criticado pelos parlamentares. Já durante a votação do projeto, o vereador José Fiorilo (PDT) pediu vista da matéria, atendendo ao pedido do Executivo para uma nova tentativa de conciliação. Apesar dos gritos dos manifestantes, tentando impedir o adiamento da votação, os parlamentares aprovaram, com a informação de que o projeto retorna a plenário na quinta-feira. Os manifestantes passaram, então, a tentar adiar o prosseguimento da reunião, batendo os pés no assoalho da Casa. Rodrigo chegou a pedir para que parassem, advertindo para os riscos da estrutura do Palácio Barbosa Lima.
Ao tentar deixar o estacionamento de carona com o vereador Julio Gasparette (PMDB), André Mariano preferiu descer do veículo e subir à pé até um estacionamento na Rua Santo Antônio. No caminho, foi acompanho pelos manifestantes que o chamaram de machista. Com a escolta da PM, o vereador conseguiu deixar o local, dirigindo o seu veículo, apesar das tentativas de impedimento do grupo. Em entrevista à Tribuna, Mariano classificou os protestos como características do processo democrático. “Todos têm o direito de fazer sua manifestação. É legal, é legítimo, desde que haja respeito e não haja agressões”, disse.

