Brasília (AE) – A intensa disputa política entre os partidos por espaços no eventual Governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB) já começa a travar a definição dos nomes para os ministérios e bancos públicos. Nos bastidores, o principal embate ocorre entre o PMDB e o PP, mas há também confrontos entre outras legendas. A Saúde é a mais cobiçada, apesar das epidemias que atingem o país e o orçamento mais apertado do que no passado. Trata-se de um ministério com grande capilaridade: há postos a serem preenchidos em todos os cantos do Brasil. Além disso, investimentos na saúde – como hospitais, ambulâncias e contratação de médicos – sempre foram um trunfo importante para ganhar a simpatia de prefeitos, o que ganha força em um ano de eleição municipal.
Temer quer que o posto seja ocupado por um nome de grande respaldo na sociedade civil e médica. O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), por exemplo, já tem um nome na cabeça: o cirurgião paulista Raul Cutait, que por anos esteve à frente do Hospital Sírio Libanês. Sondado, Cutait ainda não deu a palavra final. Ao negociar a pasta com o PP, Temer caminhava para manter um acordo previamente alinhavado com a legenda. A ideia inicial era a de que o partido assumiria o comando de dois ministérios, a princípio Integração Nacional e Saúde.
Justificativas
PP e PMDB também se enfrentam pelo comando dos cargos de direção na Caixa Econômica Federal. Controlada nos últimos anos por petistas, integrantes do PP e do PMDB têm feito uma romaria à sede do banco em Brasília atrás do que seria um “reconhecimento de terreno” para o caso de o vice assumir a Presidência.
Na área trabalhista, tamanho é o assédio que Temer pretende separar o atual Ministério do Trabalho e Previdência Social em duas pastas. A divisão abriria espaço para contemplar mais partidos. Temer negocia dar Trabalho para o Solidariedade e a Previdência para o PRB ou PSD. A cúpula do Solidariedade, que é ligada à Força Sindical, já trabalha com dois nomes para a pasta: os deputados Zé Silva (MG) e Augusto Coutinho (PE). Já o futuro da vaga na Previdência Social ainda está incerto. Emissários de Temer ofereceram o comando do ministério para o PRB, em troca de o partido desistir da ideia de exigir o Ministério da Agricultura para se manter na base aliada.
