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Médicos alertam para risco de desassistência

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A três dias de ser deflagrado um movimento grevista pelos médicos servidores da Prefeitura de Juiz de Fora, os profissionais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) fizeram um alerta quanto ao risco de desassistência à saúde em todo o município. Juiz de Fora vive hoje a maior crise de desassistência de sua história, diagnosticou o presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, durante audiência pública realizada na tarde de ontem na Câmara Municipal. Ele cobrou abertura ao diálogo com os gestores municipais e lamentou as ausências dos secretários de Saúde, Cláudio Reiff, e de Administração e Recursos Humanos, Vítor Valverde. Antes, o vereador José Laerte (PSDB), que foi um dos proponentes do evento, também criticou a falta do promotor de Defesa da Saúde, dos Idosos e Deficientes, Rodrigo Ferreira de Barros. Falta sensibilidade ao Ministério Público que ignora esta audiência. Todos os ausentes justificaram suas faltas mediante necessidade de cumprirem outros compromissos assumidos anteriormente.

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Muitos dos cerca de 80 médicos que participaram da audiência denunciaram a precariedade dos salários e falta de estrutura mínima para a realização de suas atividades, como prontuários e receituários. Ninguém mais faz cirurgia, os poucos que ainda fazem, fazem por piedade, relatou o presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia, Jairo Antônio Silvério, que considerou a hipótese de o atual caos na saúde ser uma justificativa para o processo de terceirização do setor. Acompanhados pelos vereadores e dirigentes sindicais, eles também criticaram o processo de judicialização da medicina, com interferência cada vez maior de promotores e juízes nos procedimentos de internação. O ponto biométrico implantado recentemente pela Secretaria de Saúde também foi foco de críticas. De acordo com o cirurgião Lucas Nardelli, a administração falta com respeito com a categoria. Ele citou como exemplo a justificativa que recebeu ao questionar a instalação da estação biométrica do HPS, em frente à sala de espera. Informaram-me que era para evitar que malandros saíssem.

A ouvidora de Saúde do município, Samantha Borchear, reconheceu a situação crítica do setor e pediu empenho pessoal do prefeito Custódio Mattos (PSDB) e de seus secretários. Quem tem cargo público deveria ser obrigado a comparecer às discussões. Ela tratou como uma forma de ilusão atribuir melhorias à saúde com inaugurações de obras. Inaugurar parede de Hospital da Zona Norte ou do Centro e de UPAs não vai resolver o problema. Como os representantes da administração foram convidados e não convocados, como agora permite a Lei Orgânica do Município, o vereador José Sóter de Figueirôa Neto (PMDB) solicitou à Mesa Diretora que fizessem uma nova convocação dos secretários ausentes, do representante do Ministério Público, além do vice-prefeito, Eduardo Freitas (PDT), que é médico. A Comissão de Saúde da Câmara foi designada pelo presidente Carlos Bonifácio (PRB) para fazer as gestões junto à PJF. O peemedebista também defendeu a interrupção de votações de mensagens do Executivo enquanto a reunião com a Administração não for marcada. A ideia acabou sendo apoiada Isauro Calais (PMN) e José Tarcísio (PTC).

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Administração diz buscar consenso favorável

Entre os governistas, apenas José Emanuel (PSC) contemporizou a questão e exigiu cobranças também junto ao Governo federal, para que seja recomposta a tabela do SUS. O líder do Governo, Noraldino Júnior (PSC) assegurou que há interesse do prefeito em buscar uma solução para o impasse. Posso assegurar que a vontade do prefeito é encontrar um consenso favorável às melhorias. Por meio de nota, a Prefeitura informou que está investindo na reestruturação das unidades da Secretaria de Saúde, com reformas e ampliações de 12 Uaps. Estão sendo construídas, também, outras cinco unidades de saúde, das quais duas já foram entregues, além da Sala de Urgência do HPS, do Hospital Regional, com 250 leitos, das novas instalações da subsecretaria de Vigilância em Saúde e da Policlínica de Benfica.

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Quanto ao pedido por diálogo, a administração considerou que a afirmação do Sindicato dos Médicos não procede, visto que a administração municipal tem realizado diversas reuniões com a categoria nos últimos dois anos e quatro meses. Na última quarta-feira, 27, por exemplo, foi realizada uma reunião com a direção do sindicato, onde foram apresentadas aos representantes da categoria as informações sobre as mensagens enviadas à Câmara Municipal, e que tratam sobre os interesses dos servidores médicos municipais em geral. As negociações salariais de todas as categorias do funcionalismo público municipal começam na próxima segunda-feira.

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