O Brasil decide o destino de seus próximos quatro anos neste domingo (28), quando será realizado o segundo turno das eleições presidenciais. Na chamada festa da democracia, duas são as opções para comandar o país entre 2019 e 2022, em uma disputa que coloca frente à frente duas candidaturas que polarizaram o processo eleitoral desde meados do primeiro turno. De um lado, no campo da extrema-direita, está o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). De outro, mais à esquerda, o ex-ministro da educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). À noite, um dos dois será aclamado presidente eleito após a apuração do votos de quase 147 milhões de eleitores em todo o território nacional – em Juiz de Fora são 397.841. A votação acontece entre 8h e 17h.
Bolsonaro e Haddad chegaram ao segundo turno após terem sido os mais votados no turno inicial do atual processo eleitoral, no último dia 7 de outubro. O deputado federal conseguiu o melhor desempenho nas urnas há três semanas, quando recebeu o apoio de 49.276.990 eleitores. Apesar de expressiva, a votação não foi suficiente para o parlamentar garantir a faixa de forma antecipada, representando 46,03% da votação válida. Já o petista garantiu a oportunidade de participar do segundo turno após receber 31.342.005 votos, o que significou 29,28% da votação válida.
Sem debate
Garantidos na sequência da corrida presidencial, Bolsonaro e Haddad protagonizaram uma campanha atípica. Pela primeira vez na história desde a redemocratização do país, não houve um enfrentamento cara a cara dos dois envolvidos na disputa, com o candidato do PSL optando por não participar de debates As negativas do parlamentar foram embasadas ora em aspectos clínicos – uma vez que o candidato passou por um longo processo de recuperação do atentado sofrido em visita a Juiz de Fora no dia 6 de setembro, quando foi atingido por uma facada desferida por Adelio Bispo de Oliveira – ora estratégicas.
Sem um confronto de ideias entre os presidenciáveis, as redes sociais foram mais do que nunca protagonistas. Para bem e para mal, incluindo suspeitas de que disparos em massa financiado por empresas possam ter influenciado o resultado do primeiro turno. Mais do que discussões propositivas, uma enxurrada de notícias falsas rodou o país e colocou o termo “fake news” na crista da onda. A campanha de segundo turno também se tornou mais dura de parte a parte, com cada candidato tentando revelar ao público as idiossincrasias do adversário e de seu entorno. De forma geral, as propostas e os projetos para a recuperação e o desenvolvimento do país foram relegadas a segundo plano em um cenário em que o discurso do “nós” contra “eles” dominou campanhas, militâncias e eleitores mais envolvidos no processo.
Hora da verdade acontece hoje
Em meio à troca de acusações, Bolsonaro iniciou a campanha do segundo turno como favorito. As primeiras pesquisas de intenção de voto feitas pelos principais institutos do país chegaram a dar vantagem para o deputado federal. Ao passar dos dias, o cenário parecia cristalizado. Porém, na semana final, os mesmos levantamentos mostraram que a distância entre os dois concorrentes começou a oscilar.
A movimentação do eleitorado encheu de esperança a campanha de Haddad, que passou a acreditar na possibilidade de uma virada. Independentemente dos levantamentos, que revelam apenas recortes de momentos, a consulta popular de verdade acontece neste domingo, quando aquele que obtiver mais da metade dos votos válidos será aclamado presidente eleito do Brasil.
Anastasia e Zema reeditam confronto da experiência contra a novidade
Não apenas o futuro do país estará em jogo nas eleições deste domingo, mas também o de Minas Gerais. Cerca de 15,7 milhões de mineiros estão aptos a comparecer às urnas e escolher entre quem ficará responsável pela gestão do Estado entre 2019 e 2002: o senador e ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) e o empresário Romeu Zema (Novo), que disputam o segundo turno. Com um desempenho surpreendente no primeiro turno, crescendo exponencialmente nas pesquisas de intenção de voto nos dias que antecedeu o pleito do dia 7 de outubro, Zema garantiu a sequência na disputa como o mais votado, computando um total de 4.138.967 eleitores, o que correspondeu a 42,73 % da votação válida.
Até então tido como favorito na disputa, chegando a ser cotado até mesmo para uma vitória em turno único, Anastasia avançou na segunda colocação, com 2.814.704 votos; 29,06% da votação válida.
O avanço de Zema ao segundo turno deu o tom das campanhas no segundo turno. De um lado, Zema se apresentava como novidade, como empreendedor e como único capaz de dar novos rumos a um estado gerido há anos pelos mesmos grupos políticos. De outro, Anastasia se coloca para o eleitorado como um técnico e um gestor experiente – ele já governou Minas entre 2010 e 2014 – e como nome certo para colocar as contas mineiras nos trilhos diante da atual crise financeira por qual passa o estado. Resumindo, os ataques feitos de parte a parte, as campanhas defendem ser este um duelo entre a novidade contra a política tradicional, como vende Zema; e da experiência contra o novato, como professa Anastasia.
Para além dos discursos e das trocas de farpas de campanha, a decisão final cabe ao eleitorado mineiro e será conhecida na noite deste domingo. No que depender das pesquisas, no entanto, a vantagem de Zema é grande. Assim, a disputa no estado se mostra um pouco mais previsível. Nos últimos dias, para tentar se consolidar ainda mais na dianteira, Zema tentou vincular sua imagem à de Jair Bolsonaro, lançando até mesmo o slogan “BolsoZema”. Anastasia tem apostado nas críticas ao programa e a proposta do adversário. A escolha, no entanto, cabe aos mineiros.

