A empresa juiz-forana Gomes Maciel Refeições Coletivas Ltda. negou nesta quarta-feira (27) qualquer envolvimento com o suposto esquema de fraude em licitações para fornecimento de alimentos para escolas públicas e presídios em Minas Gerais e no Tocantins. Os esquema foi alvo da operação "Laranja com pequi", deflagrada na última terça-feira pelo Ministério Público Estadual (MPE) a fim de desmontar um arranjo para criar falsas concorrências em processos licitatórios, com a entrada de firmas nos certames sem nenhuma pretensão de vencer.
O empresário José Carlos Domingues de Azevedo, um dos proprietários da Gomes Maciel Refeições, declarou que a empresa foi incluída indevidamente entre as empresas suspeitas porque seu advogado atuou também na Stillus Alimentação, de propriedade de Alvimar Perrella, ex-presidente do Cruzeiro e irmão do senador Zezé Perrella (PDT), considerada a principal envolvida.
"Essa denúncia não tem procedência. Eles estão achando que nossa empresa é laranja porque nosso advogado em Belo Horizonte foi advogado dessa firma Stillus. Essa firma Stillus é que está tendo problema com a fiscalização. Nós não. Nós somos uma empresa idônea. E coincidentemente o nosso escritório é anexo à nossa casa, lá no Aeroporto", afirmou Azevedo, referindo-se ao endereço onde a Polícia Militar cumpriu mandado de busca e apreensão na manhã de terça, em Juiz de Fora.
"Eu não sei se esse advogado está nos traindo e continua trabalhando com a outra empresa lá. Não sei." O empresário preferiu não revelar o nome do advogado, para não "incriminar os outros", mas destacou que, depois do episódio, a procuração do profissional para responder em nome da Gomes Maciel foi cassada. Além disso, ele acrescentou que os sócios irão procurar nesta quinta(28) a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Belo Horizonte, que responde pela operação. "Nós já estamos indo para Belo Horizonte, amanhã (quinta) nós já vamos conversar lá com a Promotoria."
A Tribuna havia procurado os proprietários da Gomes Maciel na terça-feira, tanto no endereço na Cidade Alta quanto por telefone, mas não obteve retorno. Na quarta (27), contudo, a empresa enviou uma correspondência ao jornal dizendo-se surpreendida pelo teor da reportagem sobre a operação "Laranja com pequi". "Queremos informar que, ao menos até o momento, nossa empresa não foi sequer indiciada nos autos do inquérito policial", diz o documento. "De nossa parte, não temos nada a esconder. Somos idôneos e, como sempre foi de nosso feitio, estamos prontos para colaborar com os órgãos públicos."
Câmara quer apurar licitação de RP
A operação "Laranja com pequi" e a inclusão da Gomes Maciel entre as empresa investigadas levou o vereador Flávio Cheker (PT) a apresentar ontem um pedido de informação à Prefeitura e uma representação ao Ministério Público, aprovados pela Câmara, referente ao processo licitatório do Restaurante Popular (RP) de Juiz de Fora, no qual a firma ficou como segunda colocada. Na última terça, o promotor de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais, Eduardo Nepomuceno, informou que, após análise do material apreendido, vai enviar correspondências aos representantes do MP no município solicitando investigação em todos os procedimentos licitatórios que tiveram participação das firmas envolvidas.
A representação de Cheker solicita que o MP averigue a necessidade de se apurar a concorrência para a gestão do Restaurante Popular. Já o pedido de informação questiona se a PJF tomará alguma providência quanto à investigação, de modo a garantir que nenhuma concorrência promovida pelo município tenha sido objeto de fraude. De acordo com a assessoria do parlamentar, os dois documentos têm caráter preventivo.
