
Grupo afixou cartaz em protesto contra nome atual
O projeto de lei que o vereador Roberto Cupolillo (Betão-PT) deve apresentar, em breve, à Câmara Municipal já conquistou adeptos junto à população. A iniciativa propõe a mudança de nome da Avenida Presidente Costa e Silva, um dos principais corredores de tráfego do Bairro São Pedro, sob a justificativa de que a comunidade não é obrigada a conviver com resquícios de um governo militar "que cometeu tantos crimes contra o povo." A Tribuna flagrou nesta sexta-feira (27), afixado na placa que leva o nome da via, um cartaz com os dizeres "Sob seu governo, 800 estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) foram presos", assinado por um grupo que se denomina "Juventude Revolução".
A opinião dos moradores, entretanto, é dividida. "Acho que é o mais certo a se fazer. Os anos da ditadura foram de muita repressão, e ninguém que tenha se envolvido neste processo merece ser homenageado", diz a professora Marisa Fernandes Castro. Já o comerciante Rodolfo Alves, acredita que a troca de nomes é desnecessária, além de causar transtorno. "A ditadura faz parte da história também, tendo sido boa ou ruim, além disso, mudar o nome da rua vai dar muito problema para quem mora aqui."
Para o historiador e professor do curso de Ciências Sociais da UFJF, Fernando Perlatto, a alteração dos nomes de ruas é uma forma emblemática de nossa atualidade de marcar a mudança dos tempos. "A política se alimenta da memória, então é natural que, em tempos democráticos, acabar com resquícios ditatoriais." Ele destaca, contudo, a importância de que a população participe do processo de modificação. "Tem que ser feito da forma mais democrática possível, com a participação de liderança que representa a população que terá a vida afetada pela mudança,ou o processo pode acabar sendo tão autoritário quanto o governo ditador a que o nome atual faz menção."

