
Superintendente do Incra fala para as famílias
Exatamente um mês depois da publicação, no Diário Oficial da União, do decreto assinado pela presidente Dilma Rouseff (PT) determinando a desapropriação para fins de reforma agrária da Fazenda Fortaleza de Sant’Anna, o superintendentes estadual do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Carlos Calazans, garantiu, ainda para este ano, o assentamento às mais de 45 famílias acampadas à margem da MG-353. Completa hoje um ano que os militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocupam o terreno pertencente ao Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) que margeia a rodovia. Na época, eles foram despejados da fazenda por uma ordem judicial para reintegração de posse expedida pela Vara de Conflitos Agrários, em Belo Horizonte, em dezembro de 2010. Agora, os ruralistas aguardam o fim do processo de desapropriação e assentamento para retornarem às terras, que se estendem pelos municípios de Goianá, Coronel Pacheco, Chácara e São João Nepomuceno. O encontro entre Calazans e os trabalhadores, realizado ontem no acampamento, foi um misto de comemoração pelo decreto e pressão para que o Incra agilize o procedimento para assentamento das famílias. "Carlos Calazans está saindo daqui hoje falando que vamos ser assentados esse ano", comemorou a militante do MST Michelle Neves, em discurso para os demais trabalhadores sem-terra que se uniram para o ato público. Calazans afirmou que vai iniciar, em fevereiro, a avaliação geológica do terreno da propriedade. "Vamos abrir uma licitação para contratação de empresa para analisar geologicamente a fazenda e elaborar o projeto de assentamento. Só depois da avaliação dos técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos é que o projeto poderá dizer em quantos lotes o terreno será divido, quantos hectares cada lote terá, e quantas famílias serão assentadas", explicou. "Depois, acontece o sorteio das famílias que ocuparão os lotes. Como a propriedade é grande, porém, a expectativa é de que caibam todas as famílias do acampamento e mais algumas."
Grupo segue em marcha até Goianá em protesto
Com 4.683 hectares, a perspectiva inicial é de que a área seja usada para assentamento de cem famílias, conforme diagnóstico feito pelo Incra e entregue à presidente Dilma. Antes do anúncio, o superintendente do instituto se reuniu por cerca de duas horas com líderes do movimento e representantes das entidades trabalhistas e de esquerda que apoiam os militantes do MST, incluindo os sindicatos dos Metalúrgicos, dos Têxteis e dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro/JF), do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas (Sind-UTE/MG), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Comitê Central Popular, do PT e do PSTU. Depois da conversa e da assembleia geral com os militantes, o grupo seguiu em marcha até o centro de Goianá, onde realizou um protesto contra a Prefeitura do município. "Hoje estamos lembrando um ano da nossa luta, um ano desde que fomos despejados da Fazenda Fortaleza de Sant’Anna. E agora vamos comemorar nossa grande vitória, que foi o decreto de desapropriação", discursou Michelle. "Mas é também um dia de luta, porque o prefeito de Goianá nunca quis conversar com a gente. Não temos atendimento à saúde. Nem o lixo do nosso acampamento é recolhido. Queremos políticas públicas para plantar e escoar nossa produção." O próprio Calazans também avisou que pediria apoio logístico ao prefeito de Goianá, Geraldo Coutinho de Oliveira (PMDB ). Segundo informações, ele chegou a conversar a portas fechadas com o chefe do Executivo. A Tribuna tentou falar com o prefeito ou com seu chefe de gabinete, mas não obteve retorno.

