A tentativa até então frustrada de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pode levar o grupo oposicionista da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a adotar nova estratégia para dar prosseguimento à apuração das denúncias contra a máfia dos caça-níqueis e do jogo do bicho em Juiz de Fora. Líder do PT na ALMG, o deputado estadual Rogério Correia, que estará hoje em Brasília, irá conversar com o relator da CPI do Cachoeira, o deputado federal Odair Cunha (PT-MG), para considerar a possibilidade de que os documentos que apontam a suposta participação de policiais civis e militares em esquema de corrupção e recebimento de propina sejam anexados às investigações do Congresso sobre a relação entre agentes públicos e privados e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Aqui, o Governo não permite CPI. Nos últimos dez anos de gestão do PSDB, só foram realizadas duas comissões. Isso ainda no primeiro mandato do Aécio (Neves, entre 2002 e 2006). Vamos buscar esse outro caminho, já que existe um canal amplo com o relator da CPI do Cachoeira, que também é mineiro.
Inicialmente, 40 deputados assinaram o requerimento que propunha a instalação da CPI. Para Correia, a base governista trabalhou para esvaziar a proposta. De acordo com matéria publicada ontem no jornal Hoje em dia, entre os 15 parlamentares que retiraram suas assinaturas estão o presidente da Comissão de Ética, Doutor Viana (DEM); Rômulo Viegas (PSDB); e o líder do Governo, Bonifácio Moura. Integrante do grupo oposicionista da Assembleia, o deputado Bruno Siqueira (PMDB) mostrou-se pessimista quanto à realização da CPI estadual. Mesmo assim, espera que as denúncias sejam apuradas. As pessoas não podem ser julgadas sem provas, com base em denúncias. As corregedorias das polícias civil e militar devem apurar o caso para isentar os inocentes e punir os culpados.
Na última terça-feira, o deputado Sargento Rodrigues (PDT), que integra a Comissão de Direitos Humanos da ALMG, divulgou um vídeo para reforçar as denúncias sobre o envolvimento de policiais militares e empresários de Juiz de Fora com a exploração de máquinas caça-níqueis e jogo de bicho. A gravação foi entregue à comissão por um policial civil, na segunda.
