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Com união, PT parte para alianças PSDB e PMDB ainda aparam as arestas

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Acostumado a intermináveis quedas de braço no período anterior às eleições municipais, o diretório do PT de Juiz de Fora comemora a inédita unidade em torno da candidatura da ex-reitora da UFJF, Margarida Salomão (PT). De quebra, ainda assiste de camarote a disputas internas no PSDB e no PMDB. "A palavra que melhor explica o atual momento do partido é amadurecimento. Os processos anteriores foram didáticos nesse sentido", explica o presidente petista local, Rogério Freitas. Sem a necessidade de reunir esforços para afinar e definir nomes, os petistas usam os meses anteriores ao início da campanha para buscar aproximação com outros partidos, algo também impensável até a bem pouco tempo. Na última semana, a própria Margarida lembrou das dificuldades para conseguir a condição de candidata em 2008 e dos problemas decorrentes desse impasse. "Minha candidatura (em 2008) foi, até certo ponto, surpreendente e inesperada. Faltou tempo para conversarmos (com aliados)."

Não só o amadurecimento alegado pelo presidente petista, mas também as expressivas votações obtidas por Margarida nos dois turnos das eleições de 2008, bem como na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2010, foram determinantes para o atual momento do PT. Pela primeira vez, a legenda inicia uma corrida sucessória com status de favorita. Esse aspecto, na avaliação dos próprios petistas, contribuiu não só para a unidade, mas também para colocar os diretórios estadual e nacional do partido afinados com a instância local. "Entramos na lista de prioridade do PT apenas no segundo turno e ainda assim pela janela", lembra Kaká Guilhermino, um dos principais interlocutores petistas em Brasília. Para 2012, segundo ele, a situação mudou. "Iniciamos as conversas pela porta da frente e com caráter prioritário."

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Com viabilidade eleitoral comprovada nas duas vezes em que esteve no páreo, coube à própria Margarida a costura interna. Suas conversas começaram em Juiz de Fora, com os três vereadores da bancada petista – Flávio Cheker, Roberto Cupolillo (Betão) e Wanderson Castelar – e terminaram em Brasília, onde estão o diretor de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira da Fundação Cultural Palmares, Martvs das Chagas, e o coordenador-geral de centros de referência em direitos humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gabriel dos Santos Rocha (Biel). As articulações avançaram, conseguindo evitar o surgimento de candidaturas alternativas. Ao mesmo tempo em que consolidava seu nome internamente, Margarida ganhava adesão de dirigentes estaduais e nacionais do partido.

As articulações conduzidas por Margarida não foram bem-sucedidas apenas no episódio envolvendo a filiação do ex-vereador Juraci Scheffer. Várias tendências do partido reclamaram da falta de discussão e até mesmo de falta de respeito ao regimento. A situação foi levada ao diretório estadual que ainda não se pronunciou de forma definitiva sobre o caso. Pouco tempo depois, Castelar iniciou uma ofensiva contra a direção da sigla, para cobrar discussões e formalização de um plano de Governo. Publicamente, ele chegou a admitir a hipótese de lançar seu nome como candidato a prefeito, fato que forçaria a realização de prévias. Sem adesões, a proposta acabou sendo esquecida. De qualquer forma, as investidas do vereador, assim como a polêmica envolvendo Scheffer, mesmo não comprometendo a unidade petista, reviveram à memória do PT de outras eleições.

A relação nada amistosa entre o prefeito Custódio Mattos (PSDB) e o deputado federal Marcus Pestana (PSDB) ainda segue como desafio para o PSDB de Juiz de Fora. Mesmo com os dois tendo feito declarações públicas no sentido de caminharem juntos nas eleições deste ano, quando Custódio vai buscar a reeleição, o clima continua ruim. Para o presidente do partido no município, vereador Rodrigo Mattos, a candidatura própria vai servir como ponto de convergência. A proximidade com o PPS, do ex-tucano e secretário de Estado da Saúde, Antônio Jorge Marques, seria um dos efeitos do movimento em torno do projeto de reeleição. A questão, segundo Rodrigo, é saber como vai se dar a acomodação de todas as forças na campanha. "Mas vamos estar unidos e com muitos aliados."

Entre os peemedebistas, o deputado estadual Bruno Siqueira (PMDB) segue como candidato único com apoio dos diretórios estadual e nacional. Seu nome ainda não foi referendado apenas pela ala do partido ligada ao ex-prefeito Tarcísio Delgado (PMDB). Pesa contra o endosso do cacique peemedebista a pré-candidatura a prefeito de seu filho, deputado Júlio Delgado (PSB). Na última semana, Bruno e Júlio sinalizaram diálogo, mas o PMDB segue irredutível no sentido de ter candidatura própria. Tarcísio, por sua vez, alegou que está conversando e prevê definições apenas para maio. Alheios as articulações, muitos dirigentes do partido colocaram o bloco na rua com o nome de Bruno como candidato.

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