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Médicos do SUS cruzam os braços

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Médicos de 21 estados ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS) cruzam os braços hoje para chamar a atenção das autoridades e da população para os problemas enfrentados pela categoria que comprometem a qualidade do atendimento. O movimento conta com intensa mobilização em Juiz de Fora. O presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, trabalha com expectativa de uma adesão massiva dos cerca de 1.500 profissionais que atuam no setor. A paralisação deve comprometer atendimentos eletivos (consultas, exames, cirurgias e outros procedimentos). Fica assegurado o percentual legal de trabalho nas unidades de urgência e emergência. "Todos os atendimentos serão remarcados. Queremos dizer à população que o movimento é a favor da saúde", explicou o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Aloísio Tibiriçá Miranda. Em Juiz de Fora, apenas os hospitais e clínicas particulares não devem ser afetados pela mobilização.

Os médicos locais fazem ato de protesto às 11h em frente ao PAM Marechal. A mobilização nacional é coordenada pela Comissão Pró-SUS, composta por representantes da Associação Médica Brasileira (AMB), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Nacionalmente, a previsão é de que pelo menos metade dos 195 mil médicos que trabalham no SUS parem suas atividades. A avaliação da Comissão Pró-SUS é que problemas existem em todo o país, mas nem sempre se materializam da mesma forma. O órgão elencou uma série de dificuldades relatadas pelos médicos e pacientes. A baixa remuneração encabeça a lista de demandas, onde também figura a defasagem da tabela SUS, ausência de um plano de carreira, precarização dos vínculos de emprego, contratações sem concurso e falta de isonomia salarial na mesma rede do SUS.

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Em relação à remuneração, a mobilização de hoje vai trazer à discussão a necessidade de implementação do piso salarial definido pela Fenam em R$ 9.188,22 para uma jornada de 20 horas semanais de trabalho. O valor serve como parâmetro para dissídios, convenções, acordos coletivos de trabalho e, principalmente, para a discussão de plano de cargos, carreira e vencimentos (PCCV)de médicos do SUS com prefeituras. Levantamento informal feito pelas entidades médicas em todo o país mostra que a média do salário-base (sem gratificações ou outros tipos de adicionais) pago ao profissional com contrato de 20 horas semanais fica em R$ 1.946,91. Os valores oscilam de R$ 723,81 a R$ R$ 4.143,67.

A coordenado da Comissão Pró-SUS informou que, no início do mês, foi determinado aos conselhos regionais de medicina(CRMs) que comunicassem aos gestores públicos (secretários de saúde e diretores técnicos e clínicos de estabelecimentos de saúde) quanto à realização do movimento. No documento, os responsáveis foram orientados a alterar suas escalas e as marcações para evitarem constrangimentos aos pacientes e seus familiares, bem como assegurar novas datas para os procedimentos desmarcados.

 

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